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Portugal entre os líderes das renováveis numa Europa ainda dependente de energia importada
Eurostat revela que quase toda a energia produzida em Portugal em 2024 veio de fontes renováveis, mas União Europeia continua dependente do exterior para mais de metade da energia que consome.
10 Mar 2026 - 12:14
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Portugal surge entre os países mais avançados da Europa na transição energética. Em 2024, 98% da energia produzida no país teve origem em fontes renováveis, colocando-o entre os líderes europeus neste indicador, apenas atrás de Malta (100%) e da Letónia (99%). O dado destaca-se num contexto em que a União Europeia continua a depender fortemente de combustíveis fósseis importados para satisfazer as suas necessidades energéticas.
No conjunto do bloco comunitário, apenas 43% da energia disponível em 2024 foi produzida dentro da própria União Europeia, enquanto 57% teve de ser importada de países terceiros, sobretudo sob a forma de petróleo e gás natural. A dependência energética mantém-se, assim, elevada e continua a alimentar o debate político europeu sobre segurança energética e transição climática.
Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Eurostat mostram que a estrutura energética europeia continua dominada pelos combustíveis fósseis. No total da mistura de energia disponível na UE, os produtos petrolíferos representam 38%, seguidos do gás natural (21%), das energias renováveis (20%), da energia nuclear (12%) e dos combustíveis sólidos, sobretudo carvão, com 10%.
Esta distribuição evidencia uma contradição estrutural no sistema energético europeu. Apesar de as energias renováveis já serem a principal fonte de produção dentro da UE, o seu peso no total da energia disponível permanece inferior devido à forte presença do petróleo importado.
Quando se olha apenas para a produção, o panorama altera-se de forma significativa. Em 2024, as energias renováveis representaram 48% de toda a energia produzida na União Europeia, tornando-se a maior fonte energética do bloco. Seguem-se a energia nuclear (28%), os combustíveis sólidos (15%), o gás natural (5%) e o petróleo bruto (3%). O crescimento das renováveis deve-se sobretudo à expansão das energias eólica, hídrica e solar.
Apesar desta evolução, o panorama energético europeu continua significativamente desigual entre países. A França depende fortemente da energia nuclear, que representa 71% da sua produção energética, enquanto países como a Polónia ou a Estónia continuam ancorados ao carvão.
Petróleo ainda domina o consumo energético
No consumo final, os combustíveis fósseis continuam a ter um peso determinante. Em 2024, os produtos petrolíferos representaram 37% da energia consumida na UE, seguidos da eletricidade (23%), do gás natural (20%), do uso direto de energias renováveis (12%), do calor derivado (5%) e dos combustíveis sólidos (2%).
O peso do petróleo está diretamente ligado ao setor dos transportes, responsável por 31% de todo o consumo energético final europeu. A maior parte corresponde ao transporte rodoviário, incluindo automóveis e veículos comerciais.
Os lares europeus surgem como o segundo maior consumidor, com 27% da energia final, sobretudo para aquecimento. A indústria representa 25%, enquanto os serviços comerciais e públicos absorvem 13%.
Dependência energética continua em alta
Os produtos petrolíferos representam dois terços das importações energéticas da UE (67%), seguidos do gás natural (24%). Os restantes fluxos incluem carvão (4%), eletricidade (3%) e energias renováveis (2%).
Entre os principais fornecedores externos destacam-se os Estados Unidos, principal origem do petróleo e derivados (16%), a Noruega, maior fornecedor de gás natural (30%), e a Austrália, principal exportador de carvão para a União Europeia (31%).
A dependência energética varia, no entanto, de forma significativa entre Estados-membros. Malta (98%), Luxemburgo (91%) e Chipre (88%) estão entre os países mais dependentes do exterior, enquanto a Estónia apresenta uma das taxas mais baixas, com apenas 5%.
Os preços da energia continuam a refletir estas diferenças estruturais. No primeiro semestre de 2025, a eletricidade para famílias era mais cara na Alemanha (38 euros por 100 kWh), seguida da Bélgica (36 euros) e da Dinamarca (35 euros).
No gás natural para consumidores domésticos, a Suécia liderava com 21 euros por 100 kWh, à frente dos Países Baixos (16 euros) e da Dinamarca (13 euros).
Para as empresas, porém, os preços do gás revelam uma realidade diferente. Portugal figura entre os países com valores mais baixos da União Europeia, cerca de 5 euros por 100 kWh, ao lado de Espanha, Bélgica ou Grécia.
Em 2024, o consumo de energia primária na União Europeia atingiu 1.209 milhões de toneladas equivalentes de petróleo, um valor 9% inferior ao de 2014. Ainda assim, permanece 22% acima da meta definida para 2030. Já o consumo final de energia situou-se em 901 milhões de toneladas equivalentes de petróleo, apenas 2% abaixo do nível registado em 2014 e ainda 18% acima do objetivo europeu para o final da década.
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