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Portugal pode poupar 8,5 mil milhões de euros por ano com a transição energética até 2030
Segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira, pela coligação Plan4Climate e pela Rede Europeia de Ação Climática (CAN Europe), da qual a organização portuguesa ZERO faz parte, a poupança de energia poderia evitar 678 mortes prematuras até 2030.
13 Out 2026 - 11:33
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A transição energética pode gerar benefícios económicos e sociais de cerca de 8,5 mil milhões de euros por ano em Portugal, o equivalente a 2,45% do produto interno bruto (PIB) de 2025. Segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira pela coligação Plan4Climate e pela Rede Europeia de Ação Climática (CAN Europe), da qual a organização portuguesa ZERO faz parte, até 2050, este valor poderá aumentar para 28,6 mil milhões de euros anuais, correspondendo a 8,25% do PIB de 2025.
Já na Europa, as medidas de poupança de energia podem gerar 826 mil milhões de euros anuais em benefícios até 2030, um valor que poderá aproximar-se dos dois biliões de euros por ano até 2050, segundo a ZERO.
Segundo o relatório, a redução dos custos energéticos é um dos principais benefícios da aceleração da transição energética em Portugal. A poupança poderá atingir 280 euros por pessoa em 2030 e 1069 euros por pessoa em 2050, contribuindo para aliviar a despesa das famílias e combater a pobreza energética.
A estes benefícios juntam-se os danos climáticos globais evitados, estimados em 279 euros por pessoa em 2030 e 1282 euros por pessoa em 2050, segundo o relatório divulgado pela ZERO.
A transição energética poderá também trazer ganhos significativos para a saúde pública. Em Portugal, as medidas de poupança de energia poderão evitar 678 mortes prematuras por ano até 2030 e reduzir em cerca de 66 mil dias anuais as ausências ao trabalho por doença. Em 2050, o número de mortes prematuras evitadas poderá aumentar para 1031 por ano.
Perante estes benefícios económicos, sociais e ambientais, a ZERO volta a defender que o Orçamento do Estado recentemente apresentado pelo Governo na semana passada seja reforçado.
“O Orçamento do Estado recentemente apresentado deverá ser melhorado nas próximas semanas, incorporando medidas com financiamento e metas quantificados que acelerem uma transição energética justa no transporte pesado de mercadorias e de passageiros, na indústria e nos edifícios, tendo em conta os significativos benefícios económicos e sociais destes investimentos”, afirma a ZERO, em comunicado
Poupança energética pode gerar poupanças de 32 biliões de euros na Europa entre 2030 e 2050
Além disso, de acordo com o estudo, até 2030, as medidas de poupança de energia poderão contribuir para a criação de mais de 8,5 milhões de empregos a tempo inteiro na Europa, dos quais cerca de 6,5 milhões nos setores da construção e da renovação de edifícios.
No mesmo período, poderão ainda evitar quase 34 mil mortes prematuras por ano e cerca de 8 mil internamentos hospitalares, além de reduzir em 3,3 milhões os dias de ausência ao trabalho por doença, graças à diminuição da poluição atmosférica.
A redução do consumo de energia poderá ainda traduzir-se numa poupança anual de até 713 euros por pessoa em custos de energia final.
Segundo a ZERO, estes benefícios poderão aumentar significativamente nas décadas seguintes. O relatório estima que os benefícios anuais poderão atingir quase dois biliões de euros até 2050. Entre 2030 e 2050, os benefícios poderão aproximar-se dos 32 biliões de euros, o equivalente a cerca do dobro da produção económica total da União Europeia em 2025.
De acordo com o comunicado, estas conclusões surgem numa fase em que os governos da União Europeia (UE) negoceiam as políticas, os orçamentos e as regras de governação que vão determinar o cumprimento das metas climáticas europeias pós-2030.
O estudo sublinha também os custos da dependência dos combustíveis fósseis. Em 2025, a União Europeia gastou cerca de 340 mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis, enquanto o défice de investimento climático se situou nos 344 mil milhões de euros.
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