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Portugal só cortará totalmente gás russo quando Bruxelas romper contrato
Governo diz que importações representam ainda 5% do total e aguarda enquadramento europeu para cessar acordo com a espanhola Naturgy. Meta da União Europeia aponta para 2027.
25 Fev 2026 - 16:08
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Ministra do Ambiente e Energia | Foto: Sara Matos / MAEN
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Ministra do Ambiente e Energia | Foto: Sara Matos / MAEN
Portugal eliminará por completo as importações remanescentes de gás natural liquefeito (GNL) com origem na Rússia assim que exista base legal europeia que permita cessar o contrato em vigor. A garantia foi deixada esta semana, em Bruxelas, pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que reafirmou o alinhamento de Lisboa com a decisão da União Europeia de pôr termo à dependência energética russa até 2027.
A posição foi transmitida à margem de uma iniciativa promovida pela European Forum for Renewable Energy Sources (EUFORES), no Parlamento Europeu, dedicada ao futuro do sistema energético europeu, com foco nas renováveis, eficiência energética e redes. A governante reuniu-se ainda com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma transição limpa, justa e competitiva, Teresa Ribera.
Segundo a ministra, existe “uma única empresa” com contrato de longo prazo para importação de gás russo – a espanhola Naturgy – que utiliza o terminal de Sines para descarregar GNL. O volume em causa é descrito, em comunicado da tutela, como “residual” e tem vindo a diminuir “de forma consistente”, representando atualmente cerca de 5% do total do gás importado por Portugal.
Dados de 2024 indicam que Portugal importou aproximadamente 49.141 gigawatts/hora de gás natural, dos quais cerca de 96% sob a forma de GNL. Do total de GNL, 4,4% teve origem na Rússia. A quota russa no aprovisionamento nacional caiu de cerca de 15% em 2021, antes da invasão da Ucrânia, para os atuais 5%.
O Governo reconhece, contudo, que está condicionado pelos compromissos contratuais existentes. Até haver “um forte enquadramento legislativo europeu, não podemos atuar em relação a essa empresa […] por questões contratuais”, admitiu Maria da Graça Carvalho. Acrescentou: “Isto tem de ser muito bem analisado porque é um contrato válido. Assim que nos seja dada a possibilidade sólida legal de atuar, iremos atuar”
A decisão europeia, adotada no final do ano passado, fixa o fim das importações de GNL russo para 1 de janeiro de 2027 e do gás transportado por gasoduto para 30 de setembro do mesmo ano. A medida insere-se na estratégia comunitária de resposta à guerra na Ucrânia e de reforço da autonomia energética, acelerando a diversificação de fornecedores e o investimento em energias renováveis.
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