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Reclamações na área dos seguros disparam no 1.º trimestre à boleia das tempestades
A área das peritagens e regularização de sinistros foi a que registou o maior aumento de reclamações, quase duplicando as mesmas. Também os indicadores desta área deterioraram.
23 Abr 2026 - 18:00
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Primeiro-ministro Luís Montenegro visita concelhos afetados pela tempestade Kristin, 29 janeiro 2026 | Foto: Gonçalo Borges Dias/GPM
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Primeiro-ministro Luís Montenegro visita concelhos afetados pela tempestade Kristin, 29 janeiro 2026 | Foto: Gonçalo Borges Dias/GPM
O setor segurador viu-se perante uma “aceleração crítica” das reclamações no início de 2026, com as tempestades que assolaram o país a empurrarem os números para cima. A subcategoria de peritagens e regularização de sinistros viu as queixas quase a duplicar.
De acordo com os dados da Consumers Trust Labs, recolhidos através do Portal da Queixa, o número de reclamações sobre o setor ascendeu a 1382 no primeiro trimestre, um aumento de 21,44% face ao mesmo período do ano anterior. A subida do número de reclamações nestes três meses, em 244, é já superior à diferença entre 2024 e 2025, de 160. No ano transato, o total de queixas foi 4302.
“Este agravamento não é apenas uma falha de suporte, mas o reflexo de uma «fissura operacional» sistémica. O setor tenta servir um consumidor digitalmente proficiente através de sistemas de IT obsoletos, que impedem a agilidade necessária para responder a eventos extraordinários, como as tempestades do início de 2026”, critica o Barómetro do Setor dos Seguros em Portugal, divulgado nesta quinta-feira.
O estudo aponta para um “salto qualitativo e quantitativo na pressão sobre o setor segurador” no arranque do ano. Fevereiro e março reportaram picos de reclamações, com incrementos homólogos de 32% e 29,6%, respetivamente, coincidindo precisamente com os eventos climáticos extremos que atingiram Portugal.
A área das peritagens e regularização de sinistros destaca-se como um ‘outlier’, refere o barómetro, registando um aumento de 94,4% em reclamações face ao 1.º trimestre de 2025, “impulsionado pela saturação após as tempestades”. Deu-se também um aumento significativo na área da saúde, em 42,2%, e de pessoal e vida, em 37,5%, “refletindo a sensibilidade das famílias à inflação os custos de saúde e à proteção dos rendimentos”.
Além da subida do número de reclamações, as peritagens contam ainda com maus indicadores na satisfação dos clientes. As médias das avaliações de satisfação, do comportamento da marca e do tempo de resposta fixaram-se em 2 cada, numa escala que vai até 10. A média das avaliações de satisfação caíram 6,67%, enquanto a média do comportamento da marca sofreu uma deterioração de 29,4%. Já a média do tempo de resposta baixou 16,8%.
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