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Recolha seletiva de embalagens aumenta 2% e reciclagem de vidro estagna

Com base nos primeiros nove meses do ano, a Sociedade Ponto Verde antecipa que Portugal não vai atingir as metas de reciclagem de embalagens, apesar do “reforço histórico” de investimento.

10 Out 2025 - 14:59

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Ana Trigo Morais CEO Sociedade Ponto Verde | Foto: SPV

Ana Trigo Morais CEO Sociedade Ponto Verde | Foto: SPV

“É incompreensível que, com mais recursos do que nunca, a reciclagem de embalagens esteja estagnada”

No final do terceiro trimestre de 2025, a recolha seletiva de embalagens registava um aumento residual de 2%, com apenas mais 8.013 toneladas de embalagens recolhidas e enviadas para reciclagem, num total de quase 369 mil toneladas, em comparação com o período homólogo. Vidro e as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) continuam a ser os materiais que levantam mais preocupações, restando a reciclagem de vidro totalmente estagnada (0%) e a ECAL a registar um decréscimo de -7%.

Os dados são avançados nesta sexta-feira pela Sociedade Ponto Verde (SPV), que refere que o ritmo de reciclagem de embalagens no país se mantém “insuficiente”, antecipando, assim, que “Portugal não conseguirá atingir as metas de reciclagem de embalagens de 2025”.

Nos primeiros nove meses do ano, os serviços de recolha seletiva de resíduos de embalagens financiados ao Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) pela SPV e por outras entidades gestoras, atingiram o montante de 147,6M€, o que significa um reforço de 63,8M€ ao sistema, após a decisão de aplicar novos valores de contrapartida (VC) – valores pagos aos sistemas municipais e multimunicipais pelo serviço de recolha e triagem de resíduos de embalagens – através de um Despacho do Governo, que entrou em vigor a 1 de janeiro deste ano.

Portugal falha meta de reciclagem de 65% das embalagens

De recordar que, no final de 2025, Portugal deveria garantir a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens colocadas no mercado. Neste sentido, a SPV reitera, uma vez mais, que a prioridade deve ser apostar numa melhoria substancial do nível de serviço prestado aos cidadãos pelos sistemas municipais e multimunicipais, dispondo o SIGRE, atualmente, de mais recursos financeiros para realizar investimentos que gerem resultados e ajudem a alcançar as metas.

“À entrada do último trimestre de 2025, é evidente que Portugal não vai conseguir cumprir as metas de reciclagem de embalagens. Estamos a investir mais do que nunca, mas sem uma verdadeira modernização do sistema, os resultados continuam a não acompanhar o investimento feito pelas entidades gestoras”, afirma a CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais.

A SPV defende que o país vive atualmente “um paradoxo”, pois apesar de o investimento privado adicional quase ter duplicado em 2025, o aumento da taxa de reciclagem foi de apenas dois pontos percentuais, “um resultado que é manifestamente insuficiente face ao que é necessário”. A entidade defende, ainda, que os valores de contrapartida atualmente em vigor devem garantir que os investimentos façam a diferença e que melhorem a performance do setor.

“Mais do que nunca, é preciso garantir que o investimento se traduz em mais reciclagem efetiva e em dados transparentes. É incompreensível que, com mais recursos do que nunca, a reciclagem de embalagens esteja estagnada. O valor que hoje é pago ao sistema de recolha seletiva é suficiente para impulsionar inovação, criar soluções e permite ir mais longe”, refere Ana Trigo Morais.

Vidro “estagnado” é a maior preocupação

Seguindo a tendência dos últimos resultados, o vidro continua a destacar-se como o material que mais preocupação levanta. A reciclagem de vidro encontra-se totalmente estagnada (0%) face ao período homólogo, tendo sido recicladas 165.071 toneladas de embalagens de vidro. Na sequência do aumento dos VC, já foram investidos mais 11,98M€. Até ao momento, este investimento também não se traduziu num aumento da reciclagem de embalagens de vidro.

Além deste, também as embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL) causam apreensão. Segundo os dados, foram recolhidas menos 406 toneladas, num total de 5.835 toneladas (-7%).

Quanto aos restantes materiais, os dados do SIGRE revelam que foram encaminhadas para a reciclagem 122.537 toneladas de papel/cartão (+4%), 66.005 toneladas de plástico (+3%) e 1.709 toneladas de alumínio (+3%).

 

 

 

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