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Renováveis batem novo recorde mundial, mas transição ainda deixa regiões para trás
Solar e eólica concentram 97% do crescimento global. Ásia domina expansão com 74% da nova capacidade, enquanto América Central e Caraíbas somam apenas 21 GW no total.
06 Abr 2026 - 07:45
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Foto: Getty Images/WangAnQi
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Foto: Getty Images/WangAnQi
A capacidade global de energia renovável atingiu um novo máximo em 2025, com um crescimento de 692 gigawatts (GW), elevando o total instalado para 5.149 GW. Os dados, divulgados pela Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA, na sigla inglesa), confirmam uma tendência de expansão acelerada, mas também expõem fragilidades na distribuição geográfica da transição energética.
Segundo o relatório “Renewable Capacity Statistics 2026”, as renováveis representaram 85,6% de toda a nova capacidade energética instalada no último ano, consolidando o seu domínio face às fontes fósseis. O aumento anual de 15,5% é anunciado num momento em que a energia volta ao centro das preocupações globais, com a situação de tensão no Médio Oriente a reacender receios sobre a segurança do abastecimento e a volatilidade dos preços.
Neste contexto, as renováveis ganham peso não apenas como solução climática, mas como alternativa para garantir segurança energética, por serem produzidas localmente, mais baratas e de implementação rápida. A IRENA destaca que estas fontes limpas reduzem a exposição dos países aos mercados internacionais de combustíveis fósseis e tornam os sistemas energéticos mais resilientes.
“Num período de incerteza, as renováveis continuam a crescer de forma consistente”, evidenciou o diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, citado em comunicado. “Os países que investiram na transição energética estão a atravessar esta crise com menos danos económicos”, constatou ainda.
A energia solar voltou a liderar o crescimento, com 511 GW adicionados, isto é, cerca de três quartos de toda a nova capacidade renovável. A eólica seguiu-se com 159 GW. Em conjunto, estas duas tecnologias representaram quase 97% da expansão líquida, refletindo também a queda acentuada dos seus custos.
Apesar do avanço global, o relatório sublinha um padrão persistente de desigualdade. A Ásia concentrou 74,2% da nova capacidade instalada em 2025, com um aumento de 513,3 GW impulsionado sobretudo pela China. A Europa mantém-se como segunda maior região em capacidade total, com 934 GW.
Em contraste, regiões como a América Central e Caraíbas continuam praticamente à margem da transição, com apenas 21 GW de capacidade total. Esta disparidade, alerta a IRENA, deixa economias inteiras mais vulneráveis a choques externos e sublinha a urgência de acelerar o investimento em energias limpas.
África registou o maior crescimento percentual da sua história (15,9%), ainda que partindo de uma base reduzida, enquanto o Médio Oriente apresentou a taxa de expansão anual mais elevada (28,9%), liderado pela Arábia Saudita.
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