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Rentabilidade e tempo condicionam investimento na transição energética

Luís Ribeiro, Luís Guimarães e Pedro Silveira Borges apontam rentabilidade, previsibilidade e rapidez na execução como condições para viabilizar o investimento na transição energética.

25 Set 2026 - 13:53

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Miguel Alexandre Ganhão Luís Ribeiro Luís Guimarães e Pedro Silveira Borges | Foto Melissa Dores

Panel discussion at the conference 'Transição energética para empresas' with four men in armchairs on stage and an audience in the foreground; teal backdrop with logos and title in Portuguese.

Miguel Alexandre Ganhão Luís Ribeiro Luís Guimarães e Pedro Silveira Borges | Foto Melissa Dores

O investimento verde pode contribuir para a transição energética, mas não escapa às regras de qualquer outro investimento: precisa de ser rentável, previsível e realizado em tempo útil. A disponibilidade de financiamento não elimina, por isso, obstáculos como atrasos nos processos e incerteza na concretização dos projetos, foi assinalado na conferência “Transição Energética para Empresas – Desafios da Nova Ordem Mundial”, que assinalou o primeiro aniversário do Jornal PT Green, nesta quarta.

No painel “Capital para a transição: como financiar a descarbonização”, Luís Ribeiro, administrador do novobanco, foi direto ao explicar o que torna um investimento verde financeiramente atrativo: “É o mesmo que torna qualquer investimento atrativo”, ou seja, a rentabilidade. Para as empresas, a transição energética pode constituir uma vantagem competitiva, nomeadamente ao reduzir a exposição à volatilidade dos preços da energia.

“O investimento é atrativo se for mais competitivo. O investimento é atrativo se tiver mais retorno para os seus investidores”, afirmou, acrescentando que a imprevisibilidade representa também um custo. O responsável salientou ainda que já existem diferentes instrumentos de financiamento destinados à transição energética, incluindo soluções para sectores como a indústria, os transportes e a distribuição.

Luís Guimarães, administrador do Banco Português de Fomento, concordou que “os melhores projetos são os projetos rentáveis”, num contexto em que os recursos disponíveis não são infinitos. O banco procura, nomeadamente através da articulação com o Banco Europeu de Investimento, contribuir para dar escala a projetos nacionais.

Mas financiamento e rentabilidade não resolvem todos os obstáculos. Pedro Silveira Borges, advogado da Sérvulo & Associados, assumiu uma perspetiva mais pessimista e apontou um “atraso estrutural” em Portugal, que acompanha os projetos desde a escolha do local até à sua concretização. “O tempo é absolutamente essencial para que o projeto saia do chão”, sublinhou.

Também Luís Guimarães identificou nos atrasos um problema que ultrapassa o sector energético. Para o administrador do Banco Português de Fomento, Portugal tem “um problema crónico de atrasos”, sendo necessário distinguir entre a decisão de aprovar ou rejeitar um projeto e o tempo necessário para essa decisão: “o que não é legítimo é isto demorar tanto tempo a ser visto”.

Para Pedro Silveira Borges, agilizar legislação e procedimentos é importante, mas não suficiente. A concretização dos investimentos depende também da capacidade de desbloquear os estrangulamentos administrativos que continuam a atrasar projetos com impacto significativo na economia.

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