Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

3 min leitura

Seguradoras pedem prioridade ao Governo na criação de fundo nacional para catástrofes

Setor admitiu que já pagou mais de 1.000 milhões de euros em indemnizações relacionadas com eventos climáticos extremos nos últimos 20 anos. APS alerta que há “uma tendência de agravamento contínuo”.

06 Fev 2026 - 13:07

3 min leitura

Foto: Câmara Municipal de Alcácer do Sal / Facebook

Foto: Câmara Municipal de Alcácer do Sal / Facebook

O setor segurador português admitiu, nesta sexta-feira, que já pagou mais de 1.000 milhões de euros em indemnizações relacionadas com eventos climáticos extremos nos últimos 20 anos. Mais de 60% desse montante concentrou-se apenas na última década, um sinal claro de que a frequência e a severidade destes fenómenos têm vindo a aumentar. Esta evolução evidencia “uma tendência de agravamento contínuo”, refere a Associação Portuguesa de Seguradores (APS). As seguradoras que operam em Portugal apelam ao Governo para que a criação de um sistema nacional integrado de proteção contra catástrofes naturais seja tratada como “uma prioridade estratégica de interesse público”.

O apelo surge um dia depois de o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, ter admitido em entrevista à Rádio Renascença que o Governo quer criar ainda este ano um fundo para catástrofes e sismos.

No documento da APS, entregue ao poder político, o setor destaca o agravamento dos impactos financeiros associados a fenómenos climáticos extremos e a insuficiente proteção existente no país.

Apesar do valor expressivo, o setor alerta que as indemnizações cobrem apenas uma parte reduzida dos prejuízos reais. “Os montantes indemnizados representam apenas uma pequena fração das perdas económicas totais”, lê-se na declaração, que aponta para uma “lacuna de proteção” que deixa famílias, empresas e o próprio Estado particularmente expostos ao impacto crescente das catástrofes naturais.

O posicionamento das seguradoras surge na sequência das declarações do Governo sobre a intenção de avançar com um sistema nacional integrado de proteção contra riscos catastróficos, à semelhança do que existe noutros países europeus. Nesse sentido, os membros da APS manifestam “total disponibilidade para colaborar com o Estado e com as entidades competentes” na definição de um sistema que seja “robusto e sustentável”, assente em princípios de “solidariedade, prevenção e partilha de riscos”.

Segundo os dados divulgados, os fenómenos climáticos que geraram mais prejuízo foram os incêndios de outubro de 2017, que custaram 226 milhões de euros em indeminizações, e a tempestade Leslie, que atingiu o país um ano depois e resultou em perdas de 101 milhões de euros. A APS ainda não apurou os danos económicos da depressão Kristin, mas fonte oficial indicou à agência Lusa que as seguradoras já estão a avançar com pagamentos de sinistros relacionados com o mau tempo, sobretudo de menor dimensão.

Nesta terça-feira, a Morningstar DBRS revelou que Portugal se encontra entre os países europeus com menor cobertura de seguros contra catástrofes naturais, com apenas 5% das perdas económicas cobertas por seguradoras. O valor coloca Portugal distante de países como a Dinamarca, que tem 71% de cobertura, ou a Islândia, que conta com 64%. Até então, ao contrário de alguns países europeus, Portugal não tinha seguro obrigatório para catástrofes naturais em habitações.

Leiria, Coimbra, Castelo Branco, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal e Guarda foram os distritos mais afetados pela depressão que entrou pelo país a 27 de janeiro, segundo avançou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Até ao momento, já morreram treze pessoas na sequência das tempestades Kristin e Leonardo.

Nesta quinta-feira, o Governo anunciou o prolongamento da situação de calamidade para 68 concelhos até dia 15 de fevereiro.

 

Com Agência Lusa

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade