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Soluções verdes podem reduzir até 40% da exposição urbana ao calor extremo

Estudo internacional, integrado por dois investigadores portugueses, mostra a eficácia das árvores e da impermeabilização das superfícies na diminuição das temperaturas.

08 Abr 2026 - 14:18

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Foto: Freepik

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A populações urbanas podem ficar até 40% menos expostas aos dias de calor extremo se houver um aumento de áreas verdes, plantação de árvores e a remoção de superfícies impermeabilizadas. Estas ações contribuem para a criação de sombra e para a redução da temperatura nas superfícies das cidades. A conclusão é de um estudo internacional no qual participaram dois investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa).

A investigação, publicada na revista Landscape and Urban Planning, analisa o impacto de soluções de planeamento urbano na redução do stress térmico em cidades, com foco na Área Metropolitana de Lisboa (AML), onde reside 27% da população portuguesa, e em Islamabad, capital paquistanesa.

Os resultados revelam que as árvores têm capacidade de reduzir as temperaturas até cerca de 0,5°C durante o dia. À noite, a remoção de superfícies impermeabilizadas, como betão e asfalto, são mais eficazes para esse efeito, podendo reduzir entre 10% e 20% o número de dias com stress térmico. O estudo denota ainda que os benefícios tendem a ser localizados, diminuindo rapidamente fora das áreas intervencionadas.

“O estudo mostra que o planeamento urbano inteligente pode fazer uma diferença real na qualidade de vida das populações urbanas, mas também evidencia que existem limites claros à adaptação. Reduzir emissões e travar o aquecimento global continua a ser fundamental”, considera Tiago Capela Lourenço, participante do estudo com Inês Gomes Marques, ambos investigadores no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), citado em comunicado.

No que toca às políticas públicas, os resultados indicam que as intervenções devem ser priorizadas em zonas densamente povoadas e que o planeamento urbano deve integrar soluções verdes e azuis de forma estratégica.

Em comunicado, a Ciências ULisboa a estratégias apresentadas pelos investigadores “não foram apenas teóricas” e que as soluções foram cocriadas ao longo de três anos com “um grupo diversificado de ‘stakeholders’”. O processo integrou representantes dos 18 municípios da AML, especialistas do setor da governação climática, e académicos.

A equipa do CE3C da Ciências ULisboa, liderada por Tiago Capela Lourenço, participa atualmente no projeto europeu chamado “AdaptationHubs”, que apoia a criação em Portugal de uma plataforma de articulação que visa aumentar a resiliência dos Estados-membros, melhorar a coordenação, promover a partilha de soluções e reforçar a gestão dos riscos climáticos.

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