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UE acelera plano para cortar gás russo e reforça dependência dos EUA
Bruxelas prevê fim dos contratos de gás russo até 2027, enquanto acordo de 750 mil milhões com os EUA aumenta peso do GNL norte-americano no mercado europeu.
12 Set 2025 - 16:57
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Dan Jorgensen, comissário europeu da Energia, e Chris Wright, secretário da Energia dos EUA | Foto: Instagram
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Dan Jorgensen, comissário europeu da Energia, e Chris Wright, secretário da Energia dos EUA | Foto: Instagram
A Comissão Europeia está confiante de que “muito em breve” será alcançado um acordo para pôr fim às importações de energia russa até 2027. O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo comissário europeu da Energia, Dan Jorgensen, após uma reunião com o secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, em Bruxelas.
O encontro surge num contexto de crescente coordenação diplomática entre a União Europeia e Washington, em paralelo com as negociações para terminar a guerra na Ucrânia. “Para que isso [abandonar a energia russa] aconteça de uma forma que não leve a aumentos de preços e a problemas de segurança de abastecimento na Europa, precisamos da ajuda dos nossos amigos americanos. Precisamos de importar mais gás natural liquefeito (GNL) dos EUA”, sublinhou Jorgensen, citado pela Euronews.
Em julho, Bruxelas e Washington assinaram um acordo comercial que prevê a compra, pela UE, de 750 mil milhões de dólares em produtos energéticos norte-americanos ao longo de três anos – cerca de 250 mil milhões por ano. Este compromisso aumenta a pressão sobre os Estados-membros para acelerar a eliminação do gás russo e abrir espaço para contratos com fornecedores dos EUA.
Pouco antes, a Comissão tinha apresentado uma proposta legislativa para pôr fim à dependência energética de Moscovo, abrangendo gás, petróleo e nuclear. O plano prevê a proibição de novos contratos já em janeiro de 2026, o fim dos contratos de curto prazo até junho do mesmo ano e a eliminação total até ao final de 2027. Alguns países sem saída para o mar, como Áustria, Hungria e Eslováquia, contestam o calendário devido à sua dependência do gás russo.
Críticas e receios de desvio das metas climáticas
Apesar da pressão norte-americana, Jorgensen garantiu que a União Europeia não vai abdicar da sua legislação ambiental. Questionado sobre a possibilidade de rever diplomas como o Regulamento do Metano ou o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço, o comissário foi taxativo: “Temos a nossa legislação e não a iremos retirar”.
Ainda assim, as declarações levantam críticas. A eurodeputada alemã Jutta Paulus (Verdes/Aliança Livre Europeia) acusou a Comissão de ceder à “chantagem dos EUA” e alertou para o risco de abdicar das medidas do Regulamento do Metano, caso as empresas de fracking norte-americanas recebam isenções.
Na mesma linha, 14 ONG – entre elas a Climate Action Network Europe e a Clean Air Task Force – enviaram uma carta à Comissão a pedir que mantenha intacta a regulamentação europeia.
Também Julian Popov, antigo ministro do Ambiente da Bulgária, defendeu que a verdadeira alternativa ao gás russo não deve ser uma troca direta por GNL norte-americano: “É uma mercadoria transacionada globalmente, enquanto a procura de gás da Europa está em queda. A verdadeira substituição do gás russo está nas renováveis e na eficiência energética”.
Von der Leyen exige mais sanções
No seu discurso sobre o Estado da União, na quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a urgência de pressionar Moscovo. “Precisamos de mais pressão sobre a Rússia para que venha à mesa de negociações. Precisamos de mais sanções. Estamos particularmente focados em eliminar os combustíveis fósseis russos mais rapidamente, a frota-sombra e os países terceiros”, declarou.
Com as divisões internas entre Estados-membros e a crescente influência dos EUA no fornecimento energético europeu, a UE enfrenta um equilíbrio delicado: cortar o cordão umbilical a Moscovo sem comprometer os seus objetivos climáticos.
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