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UE pode reduzir em 50% a necessidade de extrair novo lítio através da reciclagem

Portugal dispõe de alguns dos maiores recursos de lítio conhecidos da Europa, mas os planos para avançar com novos projetos de mineração têm gerado controvérsia, referem as organizações SOMO, Seas At Risk e PowerShift.

19 Out 2026 - 08:30

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Foto Adobe Stockxiaoliangge

Autor

Maria Almendra Carvalho

Jornalista estagiária

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A União Europeia (UE) poderia reduzir significativamente a necessidade de extrair novas matérias-primas para baterias e, ao mesmo tempo, acelerar a descarbonização do transporte rodoviário, mostra um novo estudo, publicado nesta segunda-feira, elaborado pelo Öko-Institut, a pedido das organizações SOMO, Seas At Risk e PowerShift, membros da Coligação Europeia para as Matérias-Primas.

De acordo com o estudo, a reciclagem poderá reduzir, até 2040, a necessidade de extração de novo lítio e níquel em até 50% e de cobalto em até 70%. Perante estes resultados, a Sciaena e outras 39 organizações apelam à União Europeia para avançar rapidamente com medidas que permitam aproveitar este potencial.

Portugal dispõe de alguns dos maiores recursos de lítio conhecidos da Europa, mas os planos para avançar com novos projetos de mineração têm gerado controvérsia, referem as organizações.

É o caso do projeto de exploração de lítio da Savannah Resources, em Covas do Barroso, onde a tensão aumentou com a população local a bloquear máquinas da empresa em protesto contra o avanço do projeto, referem as associações.

“Os recentes protestos em Covas do Barroso contra o avanço do projeto de lítio da Savannah Resources mostram que a transição energética não pode ser feita à custa dos territórios e das comunidades locais. Portugal tem um papel importante a desempenhar na defesa de uma estratégia europeia que não se limite a procurar novas fontes de matérias-primas, mas que reduza também a necessidade de as extrair assim como a pressão para avançar com novas explorações”, afirma Catarina Abril, responsável de Políticas de Pescas e Clima da Sciaena. 

Uma transição energética sustentável exige, segundo a responsável, não só mudanças na forma como as pessoas se deslocam, mas “também reduzir os recursos que consumimos e evitar que a descarbonização se torne um argumento para expandir a mineração em territórios ambientalmente valiosos”. 

A eletrificação do transporte rodoviário, considerada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fundamental para a competitividade europeia, tem aumentado a atenção sobre os materiais utilizados no fabrico de baterias. A produção de vários destes materiais está concentrada num número reduzido de países, o que coloca desafios à segurança e à resiliência das cadeias de abastecimento europeias, explicam as organizações, em comunicado enviado ao Jornal PT Green.

Embora a diversificação das fontes de aprovisionamento seja importante, a procura de novos recursos tem levado alguns intervenientes a explorar matérias-primas de origem  “cada vez mais controversas, com elevados impactos ambientais e sociais”. 

“A Europa não deve encarar a mineração como a única forma de garantir os materiais necessários à transição ecológica. A investigação demonstra que existem alternativas à extração de novas matérias-primas que já estão disponíveis e podem ser ampliadas. Estas opções também ajudam a reduzir a pressão para abrir novas frentes de exploração, incluindo no mar profundo.” reitera Monica Verbeek, diretora executiva da Seas At Risk. 

“A Europa pode escolher este caminho desde já, antes que a manutenção do modelo atual consolide um futuro marcado por uma extração cada vez maior de ecossistemas vulneráveis e pelo aumento dos resíduos enviados para aterros.” acrescenta.

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