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África tem 20% das reservas de minerais mundiais, mas são subaproveitadas
Corporação Financeira Africana indica que o continente tem reservas no valor de quase 25 biliões de euros. Destes, permanecem por explorar o equivalente a cerca de 2,5 vezes o PIB do continente.
10 Fev 2026 - 09:30
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África tem 29,5 biliões de dólares em reservas minerais, cerca de 20% do total mundial, mas 8,6 biliões equivalem a recursos por explorar, segundo um relatório da Corporação Financeira Africana (AFC) divulgado nesta segunda-feira.
“África possui uma das reservas minerais mais diversificadas e estrategicamente significativas do mundo, com um valor estimado de 29,5 biliões de dólares [24,7 biliões de euros] em minas, aproximadamente 20% do total global”, lê-se no Compêndio de Recursos Minerais Estratégicos de África, divulgado pela AFC, vocacionada para potenciar investimentos estratégicos em infraestruturas e indústria e um dos principais intervenientes no Corredor do Lobito, em Angola.
Do total de 29,5 biliões de dólares, “8,6 biliões de dólares [7,2 biliões de euros] permanecem por explorar, o equivalente a cerca de 2,5 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) anual do continente”, revela a AFC, que lamenta que os países ganhem apenas uma pequena parte do valor destes recursos que lhe pertencem.
O problema, explica no documento, é a transformação de matérias-primas em produtos de valor acrescentado, ou seja, “a capacidade de transformar a riqueza mineral em ativos produtivos, infraestruturas, capacidade industrial, cadeias de valor regionais e plataformas de fabrico competitivas”.
A título de exemplo, o relatório aponta o valor da transformação de minério de ferro em aço, afirmando: “Os 2,8 biliões de dólares [2,3 biliões de euros] em minério de ferro de África à saída da mina traduzem-se num valor estimado de 25,4 biliões de dólares [21,3 biliões de euros] em aço”.
O processamento é definido como fundamental para o continente poder reclamar o valor dos recursos que tem.
“Até agora, estes ganhos permaneceram em grande parte não realizados porque África está presa num sistema de desalinhamento estrutural; os três pilares da viabilidade dos projetos minerais — recursos naturais, infraestrutura facilitadora (especialmente energia e transporte) e procura — raramente coexistem”, lê-se no documento.
O Compêndio visa demonstrar a necessidade de uma mudança estrutural na maneira como os países olham para os seus recursos, defendendo que é preciso “um melhor planeamento regional e uma abordagem mais integrada para o desenvolvimento mineral de África”.
Assim, em vez da lista de minerais críticos para a transição energética, o documento centra-se “no desenvolvimento de infraestruturas, industrialização, sistemas energéticos, segurança alimentar e resiliência da indústria transformadora”, defendendo que os minerais só são importantes enquanto ‘alimento’ para sistemas económicos nacionais e regionais, o que faz com que o minério de ferro ou os fertilizantes minerais “sejam tão, se não mais, estrategicamente importantes para a transformação de África como os minerais de transição energética”.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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