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Alterações climáticas ameaçam sistemas alimentares da UE devido a impactos em cadeia
Sul da Europa é a região mais exposta às secas e perdas agrícolas. Estudo estima que a insegurança alimentar já afeta 6,8% da população europeia.
27 Set 2026 - 10:36
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Um estudo levado a cabo por vários investigadores europeus assinala que as alterações climáticas estão a aumentar o risco de disrupções em cadeia no sistema alimentar, desde a produção agrícola ao acesso dos consumidores a alimentos seguros e nutritivos.
Na Europa, a região sul é a mais afetada, dado que é a região mais exposta às secas e perdas agrícolas. Também o centro regista vulnerabilidades aos efeitos do clima, com quebras de produtividade agrícola mais acentuadas do que nas regiões setentrionais do continente.
O risco de seca é descrito como mais elevado nas zonas central, oriental e do sul da Europa, e mais baixo no noroeste e norte europeus. Em 2022, mais de dois terços do território da União Europeia terá sido afetado por condições de seca severa, com impacto direto nos setores agrícolas.
O estudo estima que a insegurança alimentar já afeta 6,8% da população europeia, com um aumento de 11,9 milhões de pessoas atingidas desde a década de 1980.
“As alterações climáticas aumentam o risco de disrupções nos sistemas alimentares europeus, incluindo a produtividade das culturas, da pecuária e das pescas, bem como a estabilidade do comércio e dos mercados globais. Estes riscos propagam-se através do armazenamento, do processamento e da distribuição de alimentos, e, em última instância, do acesso a alimentos seguros e nutritivos, sendo que fatores socioeconómicos determinam a vulnerabilidade de cada agregado familiar”, pode ler-se na análise.
Os investigadores sublinham que o risco de impactos climáticos sobre os sistemas alimentares europeus está sujeito a incertezas, devido às interações complexas entre fatores climáticos, ecológicos e económicos, bem como ao potencial de fatores de stress simultâneos, tanto dentro da Europa como a nível global.
Por isso, na sua perspetiva, reforçar a resiliência deste sistema “exige estratégias de adaptação integradas que abranjam a produção, as cadeias de abastecimento, o comércio e a proteção social, aliadas a abordagens de governação que enfrentem os riscos sistémicos, promovam a sustentabilidade e garantam um acesso equitativo”.
Os investigadores consideram que as atuais políticas da UE abordam muitos aspetos relevantes, mas carecem de coerência e de ambição. “Embora existam opções de adaptação para vários riscos climáticos, subsistem lacunas na gestão dos riscos climáticos relacionados com o processamento, o transporte e o comércio a retalho de alimentos, bem como com a vulnerabilidade social, o que evidencia a necessidade de uma gestão de risco coordenada e prospetiva, e do desenvolvimento de estratégias de adaptação transformadora em todo o sistema alimentar”, sublinham.
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