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El Niño poderá afetar abastecimento alimentar mundial pela queda da produção agrícola
De acordo com a OMM, este episódio de El Niño poderá provocar menos precipitação e temperaturas mais elevadas na Austrália, Indonésia, Índia, em partes do Sul da Ásia e no norte da América do Sul.
04 Ago 2026 - 06:15
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Foto: Magnific
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O atual fenómeno meteorológico El Niño pode vir a afetar o abastecimento alimentar mundial durante as épocas agrícolas de 2026-2027, numa altura em que é prevista uma redução da produção agrícola global, mostra um novo relatório da S&P Global Energy CERA.
De acordo com dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño desenvolveu-se no início de julho. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenómeno se intensifique entre outubro e dezembro deste ano e que se mantenha até abril de 2027.
“Um episódio forte entre o final de 2026 e o início de 2027 poderá aumentar a volatilidade provocada pelas condições meteorológicas, sendo os maiores riscos de quebra da produção no Brasil, Austrália, Índia e Sudeste Asiático, enquanto a Argentina surge como o principal potencial beneficiário graças à melhoria da precipitação”, refere a S&P Global Energy CERA.
De acordo com a OMM, este episódio de El Niño poderá provocar menos precipitação e temperaturas mais elevadas na Austrália, Indonésia, Índia, em partes do Sul da Ásia e no norte da América do Sul. Em contrapartida, algumas zonas da América do Norte e do sul da América do Sul poderão registar níveis de precipitação superiores ao normal.
“As condições de El Niño já estão instaladas e prevê-se que evoluam rapidamente para um episódio forte. Isto aumentará significativamente a probabilidade de secas e de precipitação intensa”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, segundo comunicado da S&P.
Neste mesmo sentido, o Australian Bureau of Agricultural and Resource Economics and Sciences (ABARES), citado no mesmo relatório, estima que a produção australiana de trigo no ciclo de comercialização de 2026-2027, entre outubro e setembro, atinja 26,7 milhões de toneladas, o que representa uma quebra homóloga de 26%.

Fonte: S&D Global
Simultaneamente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a produção de milho na época de 2026-2027, entre setembro e agosto, seja de 406,3 milhões de toneladas, menos 6% do que no ano anterior.
Por outro lado, a produção de soja deverá atingir 120,7 milhões de toneladas, um aumento homólogo de 4,1%, segundo o USDA. No entanto, este novo relatório estima que a produção brasileira de soja no ciclo 2026-2027 (outubro-setembro) se situe em 177 milhões de toneladas, menos 2,7% do que no ano anterior.
“Relativamente aos rendimentos da próxima campanha, continuamos a identificar um risco significativo associado à menor utilização de fertilizantes e às condições de El Niño”, refere a CERA no relatório.
O USDA estima ainda que a produção de soja da Argentina no ciclo de 2026-2027 (abril-março) permaneça estável nos 50 milhões de toneladas.
Enquanto isso, na Indonésia, a produção de óleo de palma deverá atingir 47,5 milhões de toneladas, um aumento homólogo de 1,7%, segundo o Foreign Agricultural Service (FAS) do USDA. O FAS estima ainda que a produção de óleo de palma da Malásia atinja 19,6 milhões de toneladas, menos 3% face ao ano anterior.
“Embora o El Niño de 2026 já tenha começado e as condições estejam a tornar-se mais secas, a atividade dos focos de calor continua relativamente moderada, pelo que ainda é demasiado cedo para avaliar o seu impacto total”, refere a consultora malaia Glenauk Economics, num relatório publicado em julho, de acordo com a S&P.
É importante relembrar que o El Niño é um fenómeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico e ocorre, em média, a cada dois a sete anos, podendo durar entre nove e 12 meses. O último El Niño ocorreu entre 2023 e 2024.
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