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Erros na medição da temperatura podem subestimar impactos climáticos em 15%

Estudo da Wake Forest indica eu as estimativas contêm “erros de medição significativos” que os pressupostos estatísticos tradicionais não conseguem captar.

19 Set 2026 - 11:06

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Foto: Freepik

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As temperaturas utilizadas em muitos estudos sobre impactos climáticos podem conter erros de medição significativos, levando os investigadores a estimar incorretamente os verdadeiros efeitos da temperatura e, em média, a subestimar os impactos climáticos em pelo menos 15%. Esta é a conclusão de um estudo realizado pela Universidade Wake Forest, nos EUA, que indica também os métodos habitualmente utilizados pelos investigadores para construir indicadores de temperatura podem introduzir erros de medição substanciais, variando consoante a localização e a geografia.

Segundo a análise, a medição da temperatura pode ser imprecisa por uma questão prática. Nomeadamente porque as estações meteorológicas físicas estão frequentemente separadas por vários quilómetros, pelo que os investigadores recorrem frequentemente a estimativas estatísticas de temperatura em cidades, bairros ou campos agrícolas. Os analistas adiantam que as estimativas contêm “erros de medição significativos” que os pressupostos estatísticos tradicionais não conseguem captar.

Os analistas apontam o dedo aos chamados “pontos cegos dos microclimas”. Por exemplo, nas regiões montanhosas de Boulder, no Colorado, os indicadores meteorológicos utilizados podem diferir das temperaturas reais em quase 8,3 °C. Já em zonas mais planas e com uma rede de monitorização mais densa, como Chicago, os erros chegaram a ser de apenas 0,6 °C.

Outro responsável será a distorção do sinal da temperatura. Ou seja, os erros de medição podem persistir ao longo do tempo e variar sistematicamente em função da geografia local. “Quando os investigadores aplicam estas temperaturas estimadas a resultados do mundo real — como a criminalidade ou as doenças relacionadas com o calor —, as estimativas obtidas podem apresentar enviesamentos para cima ou para baixo”, pode ler-se na nota publicada pela universidade.

A análise indica também que, num dos indicadores meteorológicos indiretos mais utilizados, os erros de medição da temperatura atingiram, em média, 1,85 °C, ou seja, um valor superior ao limite de aquecimento global de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris.

 

 

 

 

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