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Associações alertam que Portugal continua atrasado na eletrificação dos veículos pesados
No primeiro semestre de 2026, apenas 0,5% dos novos pesados de mercadorias com mais de 12 toneladas vendidos em Portugal eram elétricos, contra 2,3% na média da União Europeia.
25 Ago 2026 - 14:05
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Foto: Adobe Stock/bilanol
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A ZERO e a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) vieram, nesta terça-feira, alertar que em Portugal a eletrificação dos veículos pesados continua a evoluir “a um ritmo muitíssimo tímido”.
Para as associações, a situação é particularmente preocupante no transporte de mercadorias, onde a eletrificação “permanece praticamente inexistente”. Em 2024 apenas 0,1% dos veículos pesados de mercadorias eram elétricos, e no caso dos pesados de passageiros, apenas 3,8%.
De acordo com o comunicado conjunto emitido pelas associações, é necessária uma redução das emissões dos transportes até 40% em relação a 2005. Assim, consideram que a “eletrificação dos veículos pesados é crucial”, tendo sido considerada como prioridade no Plano de Ação de Eletrificação da União Europeia, apresentado em julho deste ano.
Para a ZERO e para a UVE, os dados relativos ao primeiro semestre de 2026 confirmam que Portugal continua atrasado na eletrificação dos veículos pesados face à média europeia. No primeiro semestre de 2026, apenas 0,5% dos novos pesados de mercadorias com mais de 12 toneladas vendidos em Portugal eram elétricos, contra 2,3% na média da União Europeia.
Nos veículos entre 3,5 e 12 toneladas, a quota de elétricos chegou aos 17,4% em Portugal, abaixo dos 21,1% da média europeia. Já nos pesados de passageiros, o desempenho foi mais positivo: 55,4% das novas vendas foram elétricas, acima dos 28,6% da média europeia e dos 12% registados no último trimestre de 2025.
Para as duas organizações, os resultados mostram a importância dos apoios públicos à eletrificação, nomeadamente através do PRR, e a necessidade de os manter e reforçar após o fim deste programa.
Além disso, as associações alertam ainda que Portugal não apoia a eletrificação dos pesados de mercadorias, ao contrário da maioria dos países da Europa Ocidental.
Um veículo pesado de mercadorias que percorra 100 mil quilómetros por ano pode consumir entre 33 mil e 35 mil litros de gasóleo, de acordo com o comunicado. Segundo a ZERO e a UVE, a eletrificação de um único veículo permite evitar anualmente um consumo de petróleo equivalente ao de mais de 30 automóveis médios.
Na Europa, vários países já combinam apoios à compra de pesados elétricos, benefícios fiscais, financiamento de infraestruturas de carregamento e reduções ou isenções de portagens. Estes incentivos podem representar benefícios de dezenas ou mesmo centenas de milhares de euros por veículo ao longo de cinco anos, dependendo do país e da utilização, consideram as associações.
No entanto, Portugal não dispõe atualmente de apoios nacionais diretos à compra de pesados de mercadorias elétricos, nem à instalação da infraestrutura de carregamento necessária, contando apenas com benefícios fiscais. A ZERO e a UVE defendem, por isso, um pacote de incentivos que inclua a aquisição dos veículos, a instalação de carregadores e as ligações à rede elétrica, além da redução das portagens e da simplificação dos processos administrativos.
As organizações sublinham ainda que, embora os pesados representem apenas 2% dos veículos na Europa, são responsáveis por cerca de 27% das emissões de CO₂ do transporte rodoviário, pelo que consideram que a sua eletrificação tem “um elevado potencial de redução de emissões”.
Outra das queixas das organizações é a falta de infraestrutura de carregamento adequada aos veículos pesados constitui um importante obstáculo à eletrificação do transporte rodoviário de mercadorias.
Embora Portugal disponha de mais de 15 500 pontos de carregamento públicos], incluindo 170 tomadas com potência igual ou superior a 350 kW em junho de 2026, as associações consideram que esta rede “foi concebida predominantemente para veículos ligeiros”, uma vez que a potência disponível “não garante a existência de lugares suficientemente compridos, acessos sem limitações de altura, raios de viragem adequados ou espaço para conjuntos articulados”.
Segundo os dados do European Alternative Fuels Observatory (EAFO) de abril de 2026, Portugal não tinha qualquer infraestrutura pública operacional para veículos pesados equipada com pelo menos um ponto de carregamento de 350 kW, relembram.
No entanto, os primeiros pontos de carregamento públicos destinados especificamente a veículos pesados deverão entrar em funcionamento nos próximos dias, sendo esperado que o número de localizações chegue a cerca de uma dezena até ao final de 2026.
Ainda assim, a ZERO e a UVE consideram que este número “é insuficiente para incentivar a transição das empresas de transporte de mercadorias para veículos elétricos” e defendem apoios específicos à instalação de hubs de carregamento, sobretudo ao longo da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T).
No transporte de passageiros, “a situação é mais favorável” devido aos apoios do PRR. Já os operadores de mercadorias que pretendam instalar carregadores nas próprias instalações, precisam de enfrentar processos demorados, custos elevados de ligação e reforço da rede e encargos com a potência contratada, alertam.
As duas organizações defendem ainda políticas de apoio ao armazenamento descentralizado de energia, através da combinação de baterias, produção renovável e sistemas inteligentes de gestão. A medida permitiria reduzir os picos de potência e os custos de carregamento, aproveitando períodos de menor procura ou de maior produção renovável.
Para a ZERO e a UVE, o apoio deve ser direcionado prioritariamente para plataformas rodoferroviárias, centros logísticos, portos, terminais de mercadorias e zonas industriais, podendo estas infraestruturas ser partilhadas por vários operadores quando beneficiem de financiamento público, de forma a transformar a eletrificação dos pesados “num instrumento de flexibilidade capaz de integrar mais produção renovável, tanto descentralizada como centralizada, e de reduzir o custo do carregamento por veículo”.
Assim, a ZERO e a UVE defendem um aumento significativo da dotação do Fundo para a Mobilidade e Transportes, que atualmente não financia a eletrificação de veículos pesados, e a mobilização do Fundo Ambiental para apoiar a eletrificação e o armazenamento de energia em locais estratégicos, como plataformas rodoferroviárias, centros logísticos e áreas industriais.
Estes investimentos são considerados essenciais para reduzir os picos de potência e os custos de carregamento das frotas, para as associações.
As organizações defendem ainda que estes fundos sejam reforçados por recursos europeus e por uma parcela crescente das receitas do IUC, ISV e ISP, permitindo financiar a aquisição de veículos, infraestruturas de carregamento, ligações à rede elétrica e sistemas de armazenamento. O objetivo seria avançar para a “consignação integral destas receitas à transição energética dos transportes até meados da década de 2030”.
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