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Ataques às redes elétricas europeias multiplicam-se e setor ainda não está preparado para os travar
Eurelectric lança estudo na Conferência de Segurança de Munique a advertir que ataques híbridos e cibernéticos às redes de energia estão a aumentar em escala e frequência e que a preparação do setor continua desigual.
16 Fev 2026 - 16:30
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A guerra da Rússia contra a Ucrânia deixou uma lição clara para a Europa: as redes elétricas tornaram-se alvos de primeira linha. É essa a premissa central do relatório que a Eurelectric, a associação que representa o setor elétrico europeu, apresentou na sexta-feira na Conferência de Segurança de Munique, num momento em que o continente debate com urgência o reforço das suas capacidades de defesa.
O documento avalia o nível real de preparação do setor face a ameaças físicas e cibernéticas, e conclui que, embora a consciência dos riscos esteja a crescer, a prontidão das empresas continua a ser irregular. O relatório alerta que “a hora de agir é agora”.
Desde 2022, foram registados 23 ciberataques ao setor energético europeu. Só em 2024, pelo menos 11 ataques causaram danos em infraestruturas críticas do continente, e isto sem que qualquer país membro da União Europeia esteja formalmente em guerra. O que a Eurelectric descreve é uma realidade de ameaças híbridas permanentes, que combinam sabotagem, ataques informáticos e desinformação.
Na Ucrânia, a estratégia militar russa fez das centrais elétricas e das redes de distribuição alvos sistemáticos, transformando as empresas de energia na segunda linha de defesa do Estado, responsáveis por manter os serviços essenciais em funcionamento mesmo sob ataques. Para a Eurelectric, “estes incidentes estão a aumentar em escala e frequência, exercendo uma pressão crescente sobre as empresas de energia elétrica para manterem um fornecimento fiável”.
“Vivemos numa nova realidade de ameaças crescentes. Isso exige uma mudança fundamental de mentalidade”, adiantou o presidente da Eurelectric Markus Rauramo. “Preparar, responder e recuperar de ataques físicos e cibernéticos tem de ser um elemento central da estratégia das empresas de energia daqui para a frente”, acrescentou.
O relatório traduz esse imperativo em recomendações práticas. As empresas são instadas a melhorar a sua prontidão para crises, incluindo cooperação com autoridades e exercícios regulares de simulação, e a reforçar a proteção das infraestruturas críticas, com constituição de reservas de equipamentos, fortalecimento das capacidades de reparação e integração da resiliência cibernética já na fase de conceção dos sistemas.
“Este relatório transforma as lições difíceis da Ucrânia em ação prática para o resto da Europa”, assegurou o secretário-geral da Eurelectric, Kristian Ruby.
A 62.ª Conferência de Segurança de Munique, realizada entre 13 e 15 de fevereiro no Hotel Bayerischer Hof, reuniu chefes de Estado num momento de redefinição profunda da arquitetura de segurança ocidental. Com as relações transatlânticas como tema central, o encontro expôs duas visões concorrentes do Ocidente: a americana, representada pelo secretário de Estado Marco Rubio, e a europeia, que procura afirmar uma autonomia estratégica crescente.
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