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Até 80% da perda de espécies de plantas resulta das alterações climáticas
Maior parte das perdas resulta do desaparecimento de habitats adequados, mostra estudo internacional. Entre 7% e 16% das espécies analisadas podem vir a perder mais de 90% da sua área de distribuição. Eucalipto entre as espécies mais afetadas.
25 Mai 2026 - 13:25
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Algumas espécies de plantas poderão não sobreviver até ao final deste século, devido às alterações climáticas, um fator cada vez mais comum para a perda de espécies. Um estudo publicado na revista científica Science concluiu que a maior parte das perdas previstas, entre 70% a 80%, resulta do desaparecimento de habitats adequados devido às alterações climáticas e não de limitações na dispersão.
Os resultados mostram que entre 7% e 16% das espécies analisadas podem vir a perder mais de 90% da sua área de distribuição, o que as colocaria em risco elevado de extinção. Exemplos deste risco são a árvore-de-ferro-da-ilha, proveniente da Califórnia, e cerca de um terço das espécies de eucalipto que hoje existem.
O estudo foca-se na trajetória de distribuição de diferentes espécies de plantas vasculares, uma categoria que inclui quase todas as plantas do mundo. Durante a investigação foram analisadas mais de 67 mil espécies, o que representa cerca de 18% das plantas vasculares conhecidas. Além disso, analisaram diferentes cenários de emissões de gases com efeito de estufa para o período entre 2081 e 2100.
“Uma forma de imaginar isto é pensar nas plantas a tentar seguir um envelope climático em constante movimento. À medida que as temperaturas aumentam, muitas espécies podem deslocar-se para norte ou para altitudes mais elevadas para permanecerem em ambientes suficientemente frescos. Mas a temperatura é apenas uma parte da história”, explicam Junna Wang e Xiaoli Dong, líderes da investigação, em comentário à Reuters.
Os cientistas relembram que o habitat de uma planta não é apenas o seu local no mapa, mas o conjunto completo de condições necessárias: temperatura, precipitação, tipos de solo, uso do solo e características da paisagem, como a sombra.
Em muitos locais do mundo as alterações climáticas reduzem a probabilidade de todas estas condições estarem reunidas em simultâneo, mostra a investigação. Isto faz com que existam menos áreas onde todos os fatores necessários para a sobrevivência de uma espécie coexistam.
O processo de dispersão das plantas ocorre normalmente ao longo de gerações, com o transporte de sementes, ou partículas, transportadas pelo vento, água, ou gravidade. No entanto, quando os investigadores compararam o movimento realista com um cenário em que as plantas poderiam de facto alcançar um novo habitat adequado, as taxas de extinção revelaram-se muito semelhantes.
“Se a limitação da dispersão fosse o principal fator, então estratégias como a migração assistida, que ajuda fisicamente as espécies a deslocarem-se para novas áreas, poderiam resolver grande parte do problema. Mas, se as alterações climáticas estiverem a reduzir a quantidade total de habitat adequado, então ajudar simplesmente as espécies a moverem-se poderá não ser suficiente”, acrescentaram Wang e Dong.
Os impactos projetados variam consoante a região, mostra a investigação. As plantas adaptadas ao frio no Ártico poderão perder habitat à medida que os climas extremamente frios diminuem. Regiões secas, tal como partes do oeste dos Estados Unidos da América e áreas de clima mediterrânico, enfrentam riscos devido a secas mais severas, menor humidade do solo e incêndios florestais mais frequentes.
As alterações nas áreas de distribuição podem ajudar a sustentar a riqueza local de espécies, mas dificilmente proporcionarão grande alívio relativamente às extinções globais.
Neste sentido, os investigadores deixam recomendações para reduzir os riscos de extinção: identificar e proteger refúgios climáticos para salvaguardar a biodiversidade, bem como expandir esforços de conservação, como redes globais de bancos de sementes e jardins botânicos, poderá ser mais eficaz do que facilitar migrações.
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