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Autoestradas portuguesas podem gerar 1,7 TWh de energia solar por ano

Estudo da ADENE identifica potencial de 13,7 GW, mas restrições de ligação à rede limitam aproveitamento a 1,3 GW. Nós de acesso e áreas de serviço são vistas como localizações prioritárias por serem espaços já nivelados.

29 Dez 2025 - 07:35

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Foto: Freepik

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As autoestradas portuguesas escondem um potencial fotovoltaico (FV) considerável que esbarra numa limitação crítica: a capacidade da rede elétrica. Embora o potencial teórico de instalação atinja os 13,7 GW em toda a extensão das autoestradas nacionais, as restrições de ligação à rede reduzem esse valor para apenas 1,3 GW, menos de 10% do potencial identificado por um estudo da ADENE – Agência para a Energia. Tal poderia contribuir com 1,7 TWh anuais de eletricidade, o que corresponde a 6% da capacidade instalada de FV, a 22% da capacidade instalada de FV descentralizado e a 2% do consumo de energia previstos para 2030 no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), segundo o estudo.

O relatório, baseado em dados de concessionárias que representam 76,8% da rede, mapeou 23.374 localizações em 5383 hectares. Nestas áreas, seria possível instalar 9,8 GW de capacidade fotovoltaica, gerando 13,5 TWh anuais. Extrapolando para toda a rede, a potência sobe para os tais 13,7 GW e a energia gerada para 17,9 TWh ao ano.

“A vantagem principal da utilização destas infraestruturas para a instalação de sistemas FV tem a ver com a possibilidade de utilizar áreas de solo que não podem ter outro uso, evitando assim a ocupação de solo por sistemas FV em terrenos agrícolas ou os impactes ambientais associados instalação de grandes sistemas FV, como o abate de vegetação autóctone (e.g. sobreiros)”, explica a ADENE. A desvantagem reside na menor acessibilidade para instalação e manutenção, que pode comprometer a rentabilidade.

Contudo, sem investimentos adicionais aos já previstos no Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Distribuição, apenas são viáveis os 1,7 TWh por ano, o que corresponde também a 2% do consumo energético previstos no Plano Nacional Energia e Clima para 2030.

Do ponto de vista financeiro, os números são atrativos, com uma taxa interna de rentabilidade de 14%, um período de retorno de sete anos e um custo nivelado de eletricidade de 56 euros por megawatt-hora. A ADENE considera que as autoestradas apresentam “bom potencial técnico-económico” para sistemas fotovoltaicos.

O estudo destaca os nós de acesso e áreas de serviço como localizações prioritárias, por serem espaços já nivelados, com vegetação facilmente removível e menor risco de acidentes. Nestas áreas, a instalação fotovoltaica poderia integrar-se com postos de carregamento elétrico, potenciando a rentabilidade. Pórticos e praças de portagem, especialmente em autoestradas onde deixou de haver cobrança, também apresentam condições favoráveis, podendo-se aproveitar infraestruturas existentes.

Os taludes, tanto de aterro como de escavação, oferecem boas condições, sobretudo em autoestradas orientadas a norte-sul, embora algumas concessionárias considerem apenas os de escavação seguros. Já as barreiras acústicas foram descartadas: potencial reduzido, risco de vandalismo elevado e dispersão territorial tornam inviável a substituição das existentes.

A ADENE sugere que as concessionárias formem consórcios com parceiros energéticos, transformando a exploração fotovoltaica num serviço associado às concessões que melhore a sua rentabilidade.

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