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Que energia queremos para 2030?
A produção de biometano ancora-se, por natureza, em territórios rurais e no interior do país, gerando emprego qualificado e dinamizando economias locais. Feita desta forma, a transição energética é também uma política de coesão territorial. Por Gabriel Sousa, CEO da Floene
03 Jun 2026 - 05:21
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Gabriel Sousa, CEO da Floene
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Gabriel Sousa, CEO da Floene
As metas estão definidas e o potencial é real. A Europa já produz anualmente o equivalente a 234 TWh de biogás e biometano, e a trajetória continua a ser de crescimento. A atual conjuntura internacional expôs de forma clara a dependência energética e os seus impactos nas famílias, nas empresas e na economia. Apostar na produção local deixou de ser apenas uma opção: tornou-se uma decisão estratégica.
Portugal reúne vantagens evidentes. Dispõe de recursos endógenos valorizáveis e de uma infraestrutura moderna, preparada para integrar gases renováveis. O Plano de Ação estima que o país tem condições para produzir cerca de 2,7 TWh de biometano em 2030, substituindo 9,1% do consumo de gás natural previsto para esse ano. Este potencial assenta em recursos amplamente disponíveis, como resíduos urbanos, efluentes pecuários, lamas de tratamento de águas residuais e resíduos da agricultura e da indústria agroalimentar. A concretização desta meta representaria uma redução das importações de gás natural, a par de uma redução relevante de emissões.
Cumprir a meta de 2030, porém, não é um dado adquirido. Exige que os projetos em curso avancem com celeridade e que os instrumentos regulatórios se traduzam rapidamente em condições operacionais claras para os produtores. Com a consolidação do mercado e o recurso a tecnologias emergentes, o Plano de Ação para o Biometano prevê que a produção nacional possa ganhar escala até 2040, permitindo substituir até 18,6% do consumo de gás. São valores que colocam o biometano num plano que vai além da descarbonização, reforçando a autonomia energética, o desenvolvimento regional e a competitividade de longo prazo.
Este desenvolvimento tem, além disso, uma geografia própria. A produção de biometano ancora-se, por natureza, em territórios rurais e no interior do país, gerando emprego qualificado e dinamizando economias locais que dependem precisamente dos recursos que este gás valoriza. Feita desta forma, a transição energética é também uma política de coesão territorial.
A corrida europeia ao biometano já começou, e os países que criarem primeiro as condições certas captarão a maior fatia do investimento. Com cerca de 28 mil milhões de euros previstos para o setor até 2030, o mercado europeu é altamente competitivo. Portugal dispõe dos recursos, da infraestrutura e, agora, de um compromisso do Governo com a aceleração do investimento no biometano.
A Floene acompanha este percurso com empenho. A rede que operamos é um ativo essencial para garantir que o biometano produzido em território nacional chegue efetivamente às famílias e às empresas. O biometano não é uma promessa, é já uma realidade.
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