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APREN defende renováveis como “única forma viável” de produção de eletricidade em Portugal

Na Comissão de Ambiente e Energia, o vice-presidente da APREN alertou para bloqueios na rede elétrica e licenciamento e diz que armazenamento e reforço da rede são decisivos para o futuro energético.

02 Jun 2026 - 16:41

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Ricardo Jesus, vice-presidente da APREN

Ricardo Jesus, vice-presidente da APREN

As energias renováveis são a “única forma viável” de produção de eletricidade em Portugal, defendeu Ricardo Jesus, vice-presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), nesta terça-feira, na Comissão de Ambiente e Energia.

Numa audiência no Parlamento, frisou que as renováveis são, no caso de Portugal, a forma mais adequada de combater a dependência externa de combustíveis fósseis e os elevados custos associados a alternativas como o gás natural. “Não há muitas formas viáveis de produção de eletricidade. Temos o carvão, que é extremamente poluente e que não temos. Temos o fuel, que também é extremamente poluente e que não temos. Temos o gás natural, que é menos poluente, mas que também não temos. O país também não tem dinheiro para instalar uma central nuclear e iríamos criar um sistema de dependência de um combustível que não temos”, referiu, acrescentando que “aquilo que resta é o nosso sol, o nosso vento e a nossa água. Não há outra forma viável de produção de eletricidade neste país”.

Na audição com os deputados, Ricardo Jesus chamou ainda a atenção para o expetável crescimento do consumo elétrico impulsionado pelos data centers. “A procura vai aumentar e essa procura, para ser satisfeita, tem que ser acompanhada de mais capacidade instalada. E se não investimos nas renováveis, o que estamos a fazer é que esta dependência dos combustíveis fósseis vai aumentar ainda mais”, referiu.

O armazenamento também mereceu uma resposta de Ricardo Jesus, que o caracterizou como “o próximo grande salto” que o país deve dar para alisar a curva de preços da energia renovável ao longo do dia e permitir satisfazer as necessidades do país a todas as horas.

O responsável defendeu ainda a necessidade de reforçar a rede elétrica, tanto na distribuição como no transporte, para evitar bloqueios ao investimento: “Não estamos a pedir subsídios. O setor está disponível para investir, desde que haja viabilidade económica e condições na rede”, sublinhou.

Em resposta aos deputados, Ricardo Jesus caracterizou o autoconsumo e as comunidades de energia como “a forma mais eficiente de aumentar a produção de energia renovável”, mas criticou o sistema fiscal e burocrático associados a estes projetos.

Em paralelo, destacou o papel do ‘repowering’, ou seja, a substituição de parques eólicos antigos por novos mais eficientes, como uma das principais evoluções do setor nos próximos anos.

Considerando que o parque eólico em Portugal “está envelhecido”, Ricardo Jesus explicou que o que se vai fazer “é diminuir o número de torres instaladas, duplicar a capacidade instalada e triplicar a produção”.

 

 

 

 

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