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Renováveis lideram subsídios industriais com China a dar quase oito vezes mais apoios às suas empresas

Segundo a OCDE, cerca de 22% dos ganhos globais de quota de mercado de empresas nas últimas duas décadas estão associados a subsídios, subindo para 60% no caso das empresas chinesas.

01 Jun 2026 - 14:27

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Foto: Adobe Stock/RomanR

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Os subsídios industriais atingiram valores máximos desde a crise financeira de 2008-2009, com destaque para o apoio a setores ligados à transição energética, nomeadamente para a produção de equipamentos de energias renováveis e painéis solares. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a China continua a liderar o apoio estatal às suas empresas, que recebem em média entre três a oito vezes mais subsídios do que as suas congéneres nos países da OCDE, influenciando as quotas de mercado globais.

A análise, divulgada nesta segunda-feira, conclui que os subsídios totais nos 15 principais setores industriais atingiram 1,3% das receitas das empresas, totalizando cerca de 100 mil milhões de euros em 2024. Este foi o segundo nível mais alto da história em termos relativos às receitas, apenas abaixo do pico de 2009, que resultou de uma queda nas vendas durante a crise financeira global, destaca a OCDE.

A análise acompanha 525 das maiores empresas industriais do mundo entre 2005 e 2024, incluindo subsídios governamentais, benefícios fiscais e financiamento abaixo do valor de mercado concedido a empresas em várias regiões e setores.

Segundo s OCDE, cerca de 22% dos ganhos globais de quota de mercado de empresas que expandiram nas últimas duas décadas podem ser associados aos subsídios que receberam, subindo para 60% no caso das empresas chinesas.

No entanto, embora os subsídios tenham aumentado a quota de mercado das empresas, não conduziram a ganhos significativos de produtividade ou rentabilidade, assinala a organização.

“Subsídios industriais grandes e persistentes podem distorcer os mercados globais, criando vantagens competitivas injustas e contribuindo para excesso de capacidade produtiva”, afirma o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann. “Para monitorizar e analisar como os subsídios estão a moldar os mercados globais, são essenciais dados fiáveis sobre subsídios industriais”, acrescenta.

A OCDE detalha que equipamentos de energia renovável, semicondutores e indústrias pesadas estão entre os setores mais subsidiados. Entre 2005 e 2024, a produção de painéis solares fotovoltaicos, semicondutores, alumínio, aço e construção naval recebeu os níveis mais elevados de apoio em relação às receitas das empresas.

Em média, as empresas com mais de 25% de propriedade estatal receberam muito mais apoio do que as suas concorrentes privadas, sobretudo através de subsídios diretos e empréstimos abaixo das condições de mercado. Isto deve-se, segundo a OCDE, ao facto de estas empresas estarem frequentemente presentes em indústrias pesadas, caracterizadas por maior endividamento e financiamento abaixo do mercado, bem como na China.

“A falta de transparência continua a ser um desafio central para compreender a dimensão e o alcance dos subsídios industriais”, salienta a organização.  Neste sentido, a análise vai contribuir para as discussões na Reunião do Conselho Ministerial da OCDE, que começa a 3 de junho de 2026, sob o tema “Acertar as políticas industriais para mercados abertos, crescimento e prosperidade”.

 

 

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