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Bélgica, Itália, Brasil e China juntam-se a grupo que quer triplicar capacidade nuclear

São já 38 os países que apoiam a Declaração Global para Triplicar a Energia Nuclear até 2050. A capacidade nuclear global poderá atingir 1446 GWe nessa data, ultrapassando a meta de 1200 GW. França, Reino Unido, Japão e EUA integram a iniciativa.

14 Mar 2026 - 10:30

6 min leitura

Foto: Unsplash

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A Bélgica, a Itália, o Brasil e a China são os quatro novos signatários da Declaração Global para Triplicar a Energia Nuclear até 2050, promovida pela Associação Nuclear Mundial e apoiada pela Agência Internacional de Energia Atómica.

Estes países totalizam agora um grupo de 38 comprometidos em expandir o papel da energia nuclear no mix energético global de energia limpa.

O anúncio foi feito durante a Cimeira da Energia Nuclear 2026, organizada pelo Governo de França e que decorreu em Paris no decorrer desta semana. A cimeira reuniu chefes de Estado, organizações internacionais, instituições financeiras e representantes da indústria para discutir o papel da energia nuclear no cumprimento da segurança energética global e das metas climáticas.

A integração destes quatro países “acrescenta um impulso enorme à coligação global dos ambiciosos que apoiam a declaração para triplicar a capacidade nuclear até 2050”, assinala Sama Bilbao y León, diretora-geral da Associação Nuclear Mundial. Assinada por 38 países, entre os quais se encontram os maiores produtores de energia nuclear no mundo (EUA, China e França), a declaração “mostra que a capacidade nuclear pode exceder o objetivo de triplicação, se forem atingidas as metas governamentais. Coletivamente, governos e indústria devem agora transformar esta ambição em ação e entregar resultados”, acrescenta a responsável.

Nesta linha, a Associação Nuclear Mundial defende que os governos devem criar quadros políticos estáveis, que a indústria deve demonstrar capacidade de entrega em grande escala, as instituições financeiras devem investir com confiança e os maiores consumidores de eletricidade devem sinalizar a procura a longo prazo. Considera ainda que é necessário acelerar r a energia nuclear através da iniciativa Net Zero Nuclear (NZN). “É necessária uma colaboração contínua entre líderes governamentais e da indústria para apoiar a ambição de, pelo menos, triplicar a capacidade nuclear global até 2050, a fim de cumprir os compromissos climáticos, reforçar a segurança energética e expandir o acesso a energia limpa e fiável”, defende a organização mundial.

A declaração conta agora com o apoio de 38 países: Arménia, Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, China, Croácia, República Checa, El Salvador, Finlândia, França, Gana, Hungria, Itália, Jamaica, Japão, Cazaquistão, Quénia, República da Coreia, Kosovo, Moldávia, Mongólia, Marrocos, Países Baixos, Nigéria, Polónia, Roménia, República do Ruanda, Senegal, Eslováquia, Eslovénia, África do Sul, Suécia, Turquia, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos da América.

Também algumas das maiores instituições financeiras do mundo e principais consumidores de energia manifestaram apoio a esta coligação.

O World Nuclear Outlook Report prevê que a capacidade nuclear global poderá atingir 1446 GWe até 2050, ultrapassando a meta de 1200 GW estabelecida na Declaração para Triplicar a Energia Nuclear, caso sejam cumpridas as metas governamentais. Esta avaliação inclui planos para a operação contínua e prolongada dos reatores existentes, conclusão dos que estão em construção e concretização de projetos planeados e propostos, juntamente com as metas nacionais de capacidade.

De olhos postos no nuclear

A energia nuclear está a ganhar cada vez mais adeptos, inclusive junto de países que não apostavam nesta fonte de energia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, durante a Cimeira da Energia Nuclear, que a redução da energia nuclear na Europa “foi um erro estratégico” e sublinhou que a combinação de energia nuclear com renováveis é essencial para garantir eletricidade acessível, fiável e de baixo carbono na União Europeia.

Na base deste revés está a crescente necessidade de descarbonizar as fontes de energia, para alimentar os crescentes projetos de inteligência artificial e eletrificação automóvel, e também como salvaguarda da autonomia energética dada a evolução geopolítica. No caso da União Europeia, sublinha-se a estratégia de autonomia energética que está a ser levada a cabo desde a invasão da Ucrânia pela Rússia e agora mais recentemente devido à guerra dos EUA e Israel contra o Irão.

A líder europeia destacou que, enquanto a Europa não produz petróleo nem gás, depende de importações caras e voláteis de combustíveis fósseis, criando vulnerabilidades estruturais. “A atual crise no Médio Oriente lembra-nos das fragilidades que esta dependência gera”, afirmou. No entanto, “temos fontes de energia de baixo carbono produzidas internamente: nuclear e renováveis. Juntas, podem tornar-se garantias conjuntas de independência, segurança do abastecimento e competitividade – se agirmos corretamente – agora”, sublinhou.

Von der Leyen apresentou a nova Estratégia Europeia para pequenos reatores modulares (SMR, na sigla em inglês), com o objetivo de que esta tecnologia esteja operacional na Europa já no início da década de 2030, desempenhando um papel central ao lado dos reatores nucleares tradicionais. Para tal, serão criados “sandbox” regulatórios para testar tecnologias inovadoras, com harmonização das regras entre Estados-Membros, e será mobilizado investimento privado com uma garantia de 200 milhões de euros financiada pelo Sistema de Comércio de Emissões da UE. Von der Leyen sublinhou que esta abordagem visa reduzir os riscos e enviar um sinal claro para que outros investidores se juntem, reforçando o setor nuclear europeu.

Os 12 países da União Europeia (UE) com produção de eletricidade nuclear geraram, em 2024, 649.524 gigawatts-hora (GWh), registando um aumento de 4,8% face a 2023, segundo os últimos dados do Eurostat. França continua a ser o maior produtor nuclear da UE, responsável por 58,6% da produção (380.451 GWh), seguida de Espanha (54.510 GWh; 8,4%), Suécia (50.665 GWh; 7,8%) e Finlândia (32.599 GWh; 5,0%).

De salientar, no entanto, que esta atração nuclear não agrada a todos. Os críticos da energia nuclear apontam esta fonte como dispendiosa e produtora de resíduos perigosos difíceis de gerir, preferindo apostar nas diversas energias renováveis como forma de atingir a autonomia energética.

 

 

 

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