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Von der Leyen: redução da energia nuclear na Europa “foi um erro estratégico”

Presidente da Comissão Europeia defende investimento em pequenos reatores modulares e alerta que a Europa precisa de eletricidade acessível e fiável para manter a competitividade industrial.

10 Mar 2026 - 12:34

5 min leitura

Foto: CE

Foto: CE

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira, durante a Cimeira da Energia Nuclear em Paris, que a redução da energia nuclear na Europa “foi um erro estratégico” e sublinhou que a combinação de energia nuclear com renováveis é essencial para garantir eletricidade acessível, fiável e de baixo carbono na União Europeia (UE).

O evento, organizado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu líderes europeus e responsáveis do setor energético.

Von der Leyen alertou que os preços da eletricidade na Europa são estruturalmente elevados, afetando não apenas o custo de vida dos cidadãos, mas também a competitividade industrial.

“As indústrias do futuro serão construídas sobre eletricidade acessível. A robótica e a inteligência artificial irão impulsionar a próxima vaga de inovação e produtividade em todos os setores industriais. E ambos requerem eletricidade abundante e acessível, “afirmou. Acrescentando que “é por isso que a competitividade industrial será cada vez mais determinada por quem consegue produzir, transportar, armazenar e utilizar eletricidade abundante e acessível da melhor forma”.

A líder europeia destacou que, enquanto a Europa não produz petróleo nem gás, depende de importações caras e voláteis de combustíveis fósseis, criando vulnerabilidades estruturais. “A atual crise no Médio Oriente lembra-nos das fragilidades que esta dependência gera”, afirmou. No entanto, “temos fontes de energia de baixo carbono produzidas internamente: nuclear e renováveis. Juntas, podem tornar-se garantias conjuntas de independência, segurança do abastecimento e competitividade – se agirmos corretamente – agora”, sublinhou.

Von der Leyen recordou os progressos feitos nas renováveis, com a energia solar fotovoltaica e eólica a ultrapassaram os combustíveis fósseis na matriz energética da UE. E os fabricantes europeus de turbinas eólicas a serem líderes globais, ao exportarem tecnologia avançada “made in Europe” para o mundo.

Já a história da energia nuclear “infelizmente é diferente”, referiu. Enquanto em 1990 um terço da eletricidade europeia vinha da nuclear, hoje representa apenas cerca de 15%. “Esta redução na quota da nuclear foi uma escolha; acredito que foi um erro estratégico da Europa virar as costas a uma fonte fiável e acessível de energia de baixas emissões”, afirmou no seu discurso.

A líder da CE defende, por isso, que a situação deve mudar nesse aspeto. “A Europa foi pioneira na tecnologia nuclear e poderia voltar a liderar o mundo nesta área. Os reatores nucleares de próxima geração poderiam tornar-se uma exportação europeia de alta tecnologia e alto valor”, defendeu.

Aposta nos SMR

Von der Leyen apresentou a nova Estratégia Europeia para pequenos reatores modulares (SMR, na sigla em inglês), com o objetivo de que esta tecnologia esteja operacional na Europa já no início da década de 2030, desempenhando um papel central ao lado dos reatores nucleares tradicionais. Para tal, serão criados “sandbox” regulatórios para testar tecnologias inovadoras, com harmonização das regras entre Estados-Membros, e será mobilizado investimento privado com uma garantia de 200 milhões de euros financiada pelo Sistema de Comércio de Emissões da UE. Von der Leyen sublinhou que esta abordagem visa reduzir os riscos e enviar um sinal claro para que outros investidores se juntem, reforçando o setor nuclear europeu.

A Presidente frisou ainda a importância da cooperação europeia, defendendo que empresas e Estados-Membros alinhem quadros regulatórios, acelerem a emissão de licenças e desenvolvam competências, criando cadeias de valor europeias para combustíveis nucleares. Para Von der Leyen, o sistema energético mais eficiente combina nuclear e renováveis, apoiado em armazenamento, flexibilidade e redes: “O sistema mais eficiente combina nuclear e renováveis, apoiado em armazenamento, flexibilidade e redes”, reiterou.

A dirigente europeia recordou que a Europa já possui vantagens competitivas significativas, com meio milhão de trabalhadores altamente qualificados no setor nuclear e liderança global em reatores modulares, e que a região tem capacidade para se tornar um hub global de energia nuclear de próxima geração. “A corrida à tecnologia nuclear está em curso. Mas sabemos que a Europa tem tudo o que precisa para liderar. Temos meio milhão de trabalhadores altamente qualificados na área nuclear – muito mais do que os EUA e a China. Lideramos a inovação global em reatores modulares. E agora temos a ambição de avançar rapidamente e em grande escala, para que a Europa se torne um hub global de energia nuclear de próxima geração”, finalizou.

 

 

 

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