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João Barros: Nova agência para a inovação é oportunidade para preparar a próxima década de ciência
Presidente do Conselho de Administração da Agência para a Investigação e Inovação tomou posso. A AI2 resulta da fusão da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e da Agência Nacional de Inovação (ANI).
05 Mai 2026 - 09:28
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O presidente do Conselho de Administração da Agência para a Investigação e Inovação (AI2), afirmou nesta segunda-feira que a criação da nova agência representa uma oportunidade para preparar a próxima década do ecossistema nacional de ciência e inovação.
João Barros, doutorado em Engenharia Eletrotécnica e Tecnologias de Informação e professor catedrático na Universidade do Porto, tomou posse enquanto presidente da agência que resultou da fusão da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e da Agência Nacional de Inovação (ANI).
Durante o discurso, na cerimónia que decorreu no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa, recordou uma conversa com o antigo ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior José Mariano Gago.
Essa conversa, “uma das mais importantes” da sua vida, aconteceu há cerca de 15 anos, quando o investigador enfrentava uma fase de desânimo com o sistema científico nacional.
“Depois dos 40 anos, começas a ver a vida não de ano a ano, mas de década a década e verás que tens sempre maré vaza, maré cheia, maré vaza, maré cheia… A maré vaza é muito importante, porque é na maré vaza que preparamos a maré cheia”, disse-lhe Mariano Gago.
No dia em que assumiu a liderança da nova agência, cuja criação foi controversa, em particular devido à extinção da FCT, João Barros sublinhou a oportunidade para preparar a maré cheia.
“Temos hoje a oportunidade única e extraordinária de pensar, planear e construir, em conjunto, as próximas décadas e as próximas marés cheias do nosso ecossistema nacional de ciência e de inovação”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da AI2.
Sublinhando o papel da ciência, da investigação fundamental e da procura de conhecimento enquanto “pedra basilar a partir da qual conseguimos construir tudo o resto”, João Barros destacou a proximidade entre a ciência e a inovação, uma relação que permitirá “encontrar novas soluções e construir o futuro”.
“Estamos unidos na ambição de construir uma nova agência que, além de apoiar financeiramente a investigação e a inovação, saiba pensar o nosso ecossistema com todos os seus atores, mapeando competências e lacunas e identificando as necessidades de conhecimento da nossa indústria e do nosso país”, disse, referindo a discussão em curso dos domínios estratégicos para os próximos anos.
O responsável apontou ainda a necessidade de estreitar ligações entre as unidades de investigação e desenvolvimento, as instituições de ensino superior, e as empresas.
“Chegou também o momento de catalisar mais empreendedorismo de base tecnológica, expandir a utilização da inteligência artificial de forma segura e responsável e promover a nossa soberania e autonomia estratégica na ligação profunda e profícua às redes globais do conhecimento, do investimento e da criação de valor”, continuou.
O objetivo, resumiu, é contribuir para “um país forte, com uma economia dinâmica, onde vale a pena investigar, descobrir, colaborar, inovar, empreender, investir e escalar para todo o mundo”.
Quanto às expectativas que investigadores e empresas têm relativamente à AI2, que diz estarem muito mais próximas do que possa aparentar, João Barros comprometeu-se com o respeito pela liberdade académica e de iniciativa privada, estabilidade financeira, previsibilidade nos concursos, decisões justas e atempadas e “uma agência autónoma que sentem como aliada”.
Em funções desde 01 de janeiro, a AI2 foi criada no âmbito da reforma do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).
Além de João Barros, tomaram hoje posse Teresa Pinto Correia, vice-presidente com o pelouro da investigação, Maria Moura Oliveira, vice-presidente com o pelouro da inovação, António Bob Santos e Luís Sarmento, vogais executivos.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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