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França reforça aposta no nuclear e corta ambição nas renováveis no novo plano energético

O PPE3 redefine prioridades energéticas com redução de cerca de 20% nas metas para as energias eólica e solar. Nuclear volta a assumir papel central, mas riscos de execução podem travar expansão.

05 Mai 2026 - 11:34

3 min leitura

Foto: Pixabay

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França está a mudar o rumo da sua política energética, redefinindo as prioridades do país para as próximas décadas. Segundo o terceiro Programa Energético Plurianual (PPE3), a energia nuclear é consolidada como pilar do sistema elétrico e a ambição para as energias renováveis é reduzida.

Segundo uma nova análise da Morningstar DBRS, as metas combinadas de capacidade instalada de energia eólica e solar para 2035 foram revistas em baixa em cerca de 20%. Esta revisão, segundo a consultora, representa uma travagem clara face ao ritmo de expansão previsto anteriormente, diminuindo a visibilidade de crescimento para promotores e investidores do setor das renováveis.

Em sentido inverso, o nuclear volta a ganhar centralidade na estratégia energética de França, que já é o terreiro maior produtor de energia nuclear, a seguir aos EUA e à China.

O plano inclui a construção de novos reatores e a extensão da vida útil de unidades existentes, criando um pipeline de investimento de longo prazo suportado pelo Estado. Esta orientação reforça a previsibilidade de procura para fornecedores do setor nuclear, desde fabricantes de equipamento a empresas ligadas ao ciclo de combustível, destaca a DBRS.

Ainda assim, apesar deste reforço político, o setor nuclear enfrenta desafios relevantes na sua execução. A escassez de mão-de-obra qualificada, os estrangulamentos industriais e o risco de derrapagens de custos continuam a ser fatores de preocupação, podendo atrasar projetos e limitar o impacto positivo do novo enquadramento nas condições de crédito e investimento.

No caso das renováveis, a redução das metas e o aumento da concorrência interna e externa deverão pressionar promotores, que enfrentam agora um contexto de crescimento mais contido no mercado doméstico francês.

Segundo a análise de mercado, o PPE3 “redefine a dinâmica do setor em França: as renováveis mantêm um papel complementar, mas enfrentam pipelines mais restritos e maior pressão competitiva, enquanto os fornecedores e empresas expostas ao nuclear beneficiam de melhor visibilidade de encomendas e maior certeza de procura”.

Recorde-se que a energia nuclear está a voltar a atrair as atenções dos decisores a nível global. Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europia, tem vindo reiteradamente a reforçar que a estratégia energética europeia tem de passar pelo desenvolvimento de energias renováveis e nuclear, chegando a referir que o abandono desta energia pela União Europeia foi um “erro estratégico”.

Recentemente, a Bélgica anunciou a intenção de comprar a totalidade das atividades nucleares detidas pela Engie no país. Também a Bélgica, Itália, Brasil e China juntaram-se recentemente ao grupo de países que quer triplicar a capacidade nuclear até 2050. França, Reino Unido, Japão e EUA já integram esta iniciativa promovida pela Associação Nuclear Mundial e apoiada pela Agência Internacional de Energia Atómica.

 

 

 

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