3 min leitura
Bioenergia avançada pode ser alternativa para descarbonizar transportes difíceis de eletrificar
Relatório da ABA realça que biocombustíveis produzidos a partir de biorresíduos podem reduzir mais de 88% das emissões de CO2 por tonelada.
26 Nov 2025 - 08:31
3 min leitura
Foto: Adobe Stock/bilanol
- Comissão Europeia prepara-se para eventuais interrupções de combustível para aviação na UE
- Défice do setor energético da área do euro continua a diminuir
- Renováveis representam 91% da produção elétrica da EDP no primeiro trimestre do ano
- Dezenas de líderes discutem crise energética e segurança no Estreito de Ormuz
- Consumo elétrico dos centros de dados dispara com investimento a crescer 75% em 2026
- Governo aprova conclusão do plano para ligar estação do Rato à estação do Cais do Sodré
Foto: Adobe Stock/bilanol
Setores como o transporte pesado, a aviação e o marítimo continuam entre os mais difíceis de descarbonizar, travados pela forte dependência de combustíveis fósseis e pelas limitações tecnológicas da eletrificação em longas distâncias. A advertência surge num momento em que o Global Carbon Project aponta para um aumento de 1,1% das emissões globais de carbono provenientes de combustíveis fósseis. No Dia Mundial do Transporte Sustentável, assinalado nesta quarta-feira, a Associação de Bioenergia Avançada (ABA) defende que a bioenergia avançada deve assumir um papel central na transição energética dos transportes.
Segundo o mais recente relatório da associação, os biocombustíveis produzidos a partir de biorresíduos podem cortar mais de 88% das emissões de CO2 por tonelada.
A ABA destaca três razões para acelerar a sua adoção, a começar pela redução imediata de emissões. Os biocombustíveis avançados podem ser usados nas frotas e infraestruturas já existentes, permitindo diminuir rapidamente a dependência de fontes fósseis. A associação sublinha que esta solução é complementar à eletrificação e aos combustíveis sintéticos, ajudando a criar um mix energético mais robusto e preparado para cumprir as metas climáticas.
Produzidos a partir de óleos alimentares usados, resíduos agrícolas, gorduras animais e outros subprodutos, estes combustíveis reforçam a economia circular ao dar nova vida a materiais que seriam descartados, adiciona a associação. De acordo com o relatório, a utilização de matérias-primas avançadas cresceu mais de 78% na produção nacional, “refletindo tanto o aumento da procura como a valorização desta solução”.
Em outubro, a secretária-geral da ABA, Ana Calhôa, descrevia: “A reciclagem de óleos alimentares usados é um exemplo claro de economia circular em ação. Este resíduo, quando corretamente encaminhado, pode ser transformado em biocombustíveis avançados ou até mesmo reutilizado para valorização energética. A fração que se consegue aproveitar para produção de biocombustíveis é uma alternativa renovável que reduz as emissões de CO₂ até 90%, face aos combustíveis fósseis”.
Além disso, a ABA explica que a incorporação de resíduos na produção reduz o consumo de água e energia face a alternativas fósseis, enquanto contribui para menores níveis de poluição urbana – um ganho direto para “a melhoria da qualidade de vida das populações”.
A ABA conclui que a bioenergia avançada deve ser vista não apenas como substituto dos combustíveis fósseis, mas como uma peça estratégica para uma mobilidade mais limpa, segura e eficiente. Investir neste setor, afirma, “é investir no futuro do transporte sustentável em Portugal e no mundo”.
- Comissão Europeia prepara-se para eventuais interrupções de combustível para aviação na UE
- Défice do setor energético da área do euro continua a diminuir
- Renováveis representam 91% da produção elétrica da EDP no primeiro trimestre do ano
- Dezenas de líderes discutem crise energética e segurança no Estreito de Ormuz
- Consumo elétrico dos centros de dados dispara com investimento a crescer 75% em 2026
- Governo aprova conclusão do plano para ligar estação do Rato à estação do Cais do Sodré