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Carros elétricos usados desvalorizam menos do que aponta o setor
A diferença de desvalorização entre elétricos e veículos a combustão pode ser 80% menor do que indicam os dados do setor do leasing. A T&E estima que a diferença passe de 12,9 para 2,6 pontos percentuais quando são considerados outros fatores.
30 Set 2026 - 16:24
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Os veículos elétricos estão a manter melhor o seu valor do que aquilo que é indicado pelo setor do leasing, revela uma nova análise da organização europeia Transportes e Ambiente (T&E), divulgada nesta quarta-feira.
Segundo a associação, esta conclusão tem implicações importantes para os potenciais compradores e para a definição dos preços dos contratos de leasing, colocando também pressão sobre as empresas, os fabricantes automóveis e os governos para acelerarem a transição para os veículos elétricos.
Para a T&E, a discrepância entre a desvalorização real do veículos e a estimativa do setor resulta da forma como a perda de valor é calculada.
Nos maiores mercados da UE, como Alemanha, França, Itália e Espanha, os dados de 2025 sobre transações de veículos usados mostram uma diferença de 12,9 pontos percentuais na desvalorização entre veículos a combustão e elétricos.
No entanto, a análise demonstra que estes cálculos “não têm em conta variáveis fundamentais” na desvalorização dos veículos. Ao ajustar os cálculos a essas variáveis, a diferença é reduzida em 80%, para apenas 2,6 pontos percentuais.
“O setor está a apresentar uma visão demasiado simplista da desvalorização dos veículos elétricos para justificar a oposição às metas de eletrificação das frotas empresariais da UE. Na realidade, metas vinculativas criam previsibilidade no mercado, permitindo às empresas de leasing gerir a desvalorização com maior certeza”, afirma Stef Cornelis, diretor dos programas de Frotas Elétricas e Transporte de Mercadorias da T&E, em comunicado consultado pelo Jornal PT Green.
Entre as variáveis apontadas pela organização está o facto das empresas de leasing não terem em consideração os apoios e subsídios existentes para incentivar a compra de veículos elétricos.
Um dos fatores que contribuem para esta discrepância é o facto de os cálculos do setor não considerarem o efeito dos subsídios, que reduzem o preço de compra dos veículos elétricos, nem dos impostos de aquisição, que aumentam o preço dos veículos movidos a combustíveis fósseis.
Segundo a análise da T&E, estes fatores reduzem a diferença inicial de 12,9 pontos percentuais em mais de um terço, para 5,2 pontos percentuais. A descida dos preços dos veículos elétricos novos deverá contribuir para uma redução adicional de 5,1 pontos percentuais na sua desvalorização média.
A T&E defende, por isso, que as empresas de leasing devem aproveitar a crescente procura por veículos elétricos usados e oferecer contratos de maior duração.
Além disso, a organização considera ainda que os fabricantes automóveis devem uniformizar os certificados de estado das baterias e os programas de veículos usados certificados, de forma a reforçar a confiança dos compradores.
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