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Carvão para churrasco vendido na UE falha normas europeias
Novo estudo revela que muitos produtos não cumprem os padrões de composição e que o carvão em pedaços queima de forma mais limpa do que as briquetes.
19 Dez 2025 - 14:02
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Um novo estudo financiado pela União Europeia conclui que muitos produtos de carvão vegetal para churrasco vendidos no espaço europeu não cumprem as normas comunitárias em vigor, tanto ao nível da composição como das emissões de poluentes durante a combustão.
A investigação indica ainda que o carvão em pedaços (lump charcoal) apresenta um desempenho ambiental significativamente melhor do que as briquetes.
O carvão vegetal é amplamente utilizado em grelhados, mas a sua queima pode libertar poluentes nocivos, como monóxido de carbono, óxidos de azoto, compostos orgânicos voláteis (incluindo formaldeído e benzeno) e partículas finas, refere a análise promovida pela Direção-geral do Ambiente da Comissão Europeia.
Estas emissões estão associadas a efeitos negativos na saúde humana, desde irritação ocular e tosse até ao aumento do risco de doenças respiratórias e cancro a longo prazo.
O carvão em pedaços é produzido diretamente a partir de madeira dura, enquanto as briquetes resultam da compactação de pó de carvão com materiais aglutinantes e outros aditivos. Estas diferenças refletem-se na composição, ou seja, o carvão em pedaços tende a ter maior teor de carbono fixo e menor teor de cinzas e humidade, fatores que influenciam diretamente a forma como arde e os poluentes que emite.
A norma europeia EN 1860-2 estabelece limites máximos para o teor de cinzas e humidade e um valor mínimo para o carbono fixo. No entanto, os investigadores analisaram 23 produtos adquiridos em Itália (15 de carvão em pedaços e oito de briquetes, provenientes da Europa, Américas, África e Ásia) e verificaram que vários não cumprem estes requisitos.
Os resultados mostram que mais de metade das amostras analisadas falhou os critérios relativos ao teor de carbono fixo. Sete produtos excederam os limites de cinzas permitidos e um carvão em pedaços ultrapassou o limite de humidade. Em geral, as briquetes apresentaram valores mais elevados de cinzas, humidade e matérias voláteis, bem como emissões mais altas de poluentes atmosféricos.
O estudo identificou uma correlação entre a composição do carvão e as emissões geradas durante a combustão, que têm impacto direto no ambiente e na saúde pública. Produtos com maior teor de humidade, cinzas e matérias voláteis tendem a emitir mais poluentes, enquanto um maior teor de carbono fixo está associado a uma queima mais limpa e a temperaturas mais elevadas.
Apesar de não existirem atualmente normas europeias específicas para limitar as emissões de poluentes dos carvões para churrasco, os investigadores defendem que o carvão em pedaços deve ser preferido em relação às briquetes. Recomendam ainda uma revisão e reforço das normas existentes, com critérios mais exigentes e uma aplicação mais abrangente, de forma a garantir melhor qualidade dos produtos e menor impacto ambiental.
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