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Comboio pode ganhar milhões de passageiros se carro pagar custos de impacto
Estudo em Espanha conclui que o automóvel está subavaliado e distorce a concorrência com o transporte ferroviário, por não internalizar os custos ambientais, sociais e de infraestrutura que gera.
06 Jun 2026 - 10:27
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Foto: Magnific
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O transporte ferroviário de alta velocidade em Espanha poderia ganhar até 4,5 milhões de passageiros adicionais e aumentar a sua quota de mercado entre 7,5 e 10,8 pontos percentuais se o automóvel passasse a pagar todos os custos que gera, segundo um relatório da Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência de Espanha (CNMC).
O estudo sublinha que o comboio já representa 56,5% das viagens de longa distância no país, mas considera que este valor ainda é insuficiente para cumprir os objetivos de descarbonização do setor dos transportes. Em contrapartida, o automóvel continua a ser dominante em vários corredores de alta velocidade, como Madrid-Barcelona ou Madrid-Valência, onde transporta cerca de 18,9 milhões de passageiros.
A CNMC defende que a principal distorção do mercado resulta do facto de o automóvel não internalizar totalmente os seus custos reais, ao contrário do transporte ferroviário. Esses custos incluem não só infraestruturas, mas também poluição, acidentes, congestionamentos e ruído. Se fosse aplicado de forma mais rigorosa o princípio do utilizador-pagador e do poluidor-pagador, o equilíbrio entre modos de transporte mudaria significativamente a favor do comboio, sublinha a entidade.
Para além dos custos, o relatório refere que a competitividade ferroviária depende também do tempo de viagem e da fiabilidade do serviço. A CNMC alerta que o aumento dos tempos de viagem face aos melhores registos históricos terá reduzido a procura em até 1,54 milhões de passageiros, sendo também decisivos os atrasos na escolha dos utilizadores.
Outro fator apontado é a vantagem estrutural do automóvel, que permite viagens diretas de origem a destino. Para competir, o relatório recomenda uma melhor integração do comboio com outros transportes públicos, com ligações mais coordenadas, informação mais acessível e sistemas de bilhética mais simples.
Apesar da liberalização ter contribuído para reduzir preços e aumentar a oferta ferroviária, o automóvel mantém-se competitivo, sobretudo em viagens familiares ou em grupo. A CNMC defende ainda políticas comerciais mais focadas nesses segmentos e destaca que, nas viagens de negócios, fatores como frequência, fiabilidade e conectividade a bordo são determinantes.
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