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Comissário europeu da Energia diz que UE não pode ficar dependente da energia dos EUA
Antes da invasão à Ucrânia, a Rússia era a segunda maior fornecedora à UE - agora são os EUA. "Existe uma preocupação crescente, que partilho, de que possamos estar a substituir uma dependência por outra”, admite Dan Jorgensen.
29 Jan 2026 - 11:34
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Dan Jørgensen, comissário da Energia e Habitação | Foto: Parlamento Europeu
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Dan Jørgensen, comissário da Energia e Habitação | Foto: Parlamento Europeu
O comissário europeu da Energia defende que a União Europeia (UE) não pode ficar dependente da energia dos Estados Unidos, depois de isso ter acontecido com a Rússia, e falou em “tempos muito turbulentos” para a segurança energética.
“Ouço isso claramente quando falo com ministros da energia e chefes de Estado por toda a Europa: existe uma preocupação crescente, que partilho, de que possamos estar a substituir uma dependência por outra”, afirmou Dan Jørgensen.
Falando sobre as suas iniciativas para este ano a um grupo de jornalistas europeus em Bruxelas, incluindo a Lusa, o responsável europeu pela tutela apontou que, antes da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, “a Rússia era o segundo maior fornecedor [da UE] – a Noruega continua a ser o primeiro – e, agora, os Estados Unidos são o segundo”.
“Não queremos conflitos comerciais e, obviamente, não queremos conflitos de maior escala relacionados com o território de Estados-membros”, mas “é claro que a turbulência geopolítica resultante da crise em torno da Gronelândia foi um alerta”, acrescentou o comissário europeu da Dinamarca.
As declarações surgem num contexto de tensões entre a UE e os Estados Unidos pelas ameaças destes últimos relativamente a uma eventual anexação da Gronelândia, um território autónomo dinamarquês, e também quando os EUA são importantes parceiros energéticos do bloco comunitário. “Estes são tempos muito turbulentos, obviamente”, admitiu.
Perante tais tensões geopolíticas, Dan Jørgensen defendeu que a UE deve continuar “ativamente à procura de alternativas” e “falar com países de todo o mundo que podem fornecer gás natural liquefeito”, nomeadamente do norte de África. “Esperamos diversificar ainda mais as nossas importações”, assegurou.
Também nesta quarta-feira, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, deixou o alerta: “Estamos a aumentar significativamente a nossa dependência do gás natural liquefeito (GNL) importado dos EUA”. Para suprir este efeito, a responsável pela área da concorrência defendeu que a UE deve analisar a melhor forma de aproveitar os recursos comunitários.
Em 2025, de acordo com Teresa Ribera, 58% das importações de GNL para a UE tiveram como país de origem os Estados Unidos, quatro vezes mais do que em 2021.
A UE é o maior importador mundial de GNL e, em 2024, importou mais de 100 mil milhões de metros cúbicos (m³).
A invasão da Ucrânia pela Rússia e a utilização do aprovisionamento de gás como arma levaram os Estados-membros da UE a desenvolver ainda mais as suas infraestruturas de GNL.
Graças a tais investimentos, a capacidade de importação de GNL da UE aumentou 70 mil milhões de m³ em 2023-2024, prevendo-se que venham a estar disponíveis mais 60 mil milhões de m³ entre 2025 e 2030.
Portugal é um dos países com infraestrutura de GNL, no terminal de Sines, com uma capacidade anual de 7,6 mil milhões de m³ e uma capacidade de armazenamento de 390.000 m³.
O terminal de Sines é, inclusive, crucial para receber carga norte-americana de GNL.
“Estamos gratos por ser possível importar GNL dos Estados Unidos agora e que isso venha a aumentar nos próximos meses e anos porque isso é absolutamente essencial para conseguirmos eliminar a dependência da Rússia”, mas “vivemos num mundo em que precisamos de ser capazes de cuidar de nós próprios em todos os domínios”, adiantou o comissário europeu.
Esta semana, a UE adotou formalmente a proibição das importações do gás da Rússia, que decorrerá gradualmente até 2027 e prevê sanções a infratores.
Nestas declarações à Lusa e a outros meios europeus, Dan Jørgensen anunciou ainda querer alargar tal proibição ao petróleo: “Atualmente, 13% do nosso gás vem da Rússia e isso está a ser progressivamente eliminado. […] Depois, gradualmente, até 2027, deixaremos completamente de importar gás russo e também apresentarei uma proposta para eliminar a dependência – embora menor – do petróleo”.
Atualmente, cerca de 3% do petróleo importado pela UE ainda vem da Rússia e, segundo o responsável, “isso tem de acabar”.
CBN com Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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