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Consumo elétrico em Portugal atinge máximo histórico em 2025

REN divulga que Portugal ultrapassou em 2025 um máximo de 2010. Produção a gás disparou 54% e importações mantêm-se em níveis elevados, enquanto renováveis estagnam nos 68%.

02 Jan 2026 - 10:25

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Foto: Unsplash

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O consumo de energia elétrica em Portugal atingiu, em 2025, o valor mais elevado de sempre, totalizando 53,1 TWh, um crescimento de 3,2% face ao ano anterior e superando em 1,7% o anterior máximo histórico de 2010. Os dados divulgados pela REN revelam um sistema energético em expansão, mas ainda marcado por contradições estruturais. Apesar do discurso de transição energética, a dependência do gás natural e das importações de Espanha mantém-se elevada.

Já dezembro fechou o ano com um crescimento expressivo do consumo elétrico de 6,9%, o que poderá estar relacionado com condições climatéricas mais extremas.

A produção renovável registou um novo recorde absoluto de 37 TWh, impulsionada sobretudo pelo aumento de 25% da energia fotovoltaica e por condições hidroelétricas favoráveis, com um índice de produtibilidade de 1,32. Porém, consumo destas fontes estagnou nos 68%, praticamente inalterada face aos 70% de 2024, um dado que a REN justifica com as “restrições técnicas” impostas após o apagão ibérico de 28 de abril.

O balanço energético aponta como problema a produção de gás natural, que disparou 54% face a 2024, totalizando 7,9 TWh e representando 15% do consumo nacional. Este aumento contrasta com a tendência de redução dos últimos anos e sublinha a necessidade de recorrer a fontes fósseis para garantir a segurança do abastecimento, especialmente após o incidente de abril que obrigou a repensar a gestão da rede.

A REN verificou ainda um saldo importador elevado, com 9,3 TWh a entrarem de Espanha e a abastecerem 17% do consumo nacional. Embora ligeiramente inferior aos 20% de 2024, este valor demonstra que Portugal continua estruturalmente dependente do país vizinho para equilibrar o sistema elétrico.

No mercado do gás natural, o consumo recuperou 11%, atingindo 45 TWh. Esta subida deve-se quase exclusivamente ao setor elétrico, cujo consumo cresceu 93% para 13,8 TWh. Já o segmento convencional, que inclui a indústria e os restantes consumidores, registou o valor mais baixo desde 2009 (31,2 TWh), com uma quebra de 6,4%.

O aprovisionamento de gás natural continua quase inteiramente dependente do terminal de Sines, com a Nigéria e os Estados Unidos a fornecerem 93% do total importado. A interligação com Espanha representou apenas 3% do abastecimento.

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