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Conta da energia ameaça disparar nos EUA: renováveis podem ser o antídoto
Análise prevê que famílias norte-americanas pagarão até 8.500 dólares a mais na próxima década sem novas fontes limpas. Enquanto Trump pressiona para construir centrais fósseis, democratas contestam posição da Casa Branca.
25 Jan 2026 - 10:34
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Num cenário sem nova energia limpa, estima-se que os consumidores de nove estados da rede regional de energia PJM, nas regiões do Atlântico Médio e Centro-Oeste dos Estados Unidos, pagarão 360 mil milhões de dólares adicionais na próxima década, sobretudo devido à escalada dos preços no mercado grossista de eletricidade. Para a família média, isso traduz-se em custos extra entre 3.000 e 8.500 dólares ao longo de dez anos, segundo uma análise da American Clean Power Association (APC).
A rede PJM, que serve 67 milhões de pessoas em 13 estados, enfrenta um desequilíbrio crescente entre procura e oferta de energia. Aproximadamente 40 gigawatts, ou 21% da capacidade instalada de geração firme da PJM, correm risco de encerramento até 2030. Simultaneamente, a expansão de centros de dados para inteligência artificial dispara o consumo energético numa escala sem precedentes.
A 15 de janeiro, o Conselho Nacional de Dominância Energética anunciou um acordo com governadores da região para construir mais de 15 mil milhões de dólares em geração de energia de base, centrando-se em fontes convencionais como gás natural e energia nuclear. A proposta prevê uma licitação de emergência onde as empresas tecnológicas pagariam contratos de 15 anos para nova capacidade de geração.
Esta orientação da administração Trump colide frontalmente com a avaliação de especialistas do setor das energias limpas. Al Gore, antigo vice-presidente democrata dos EUA, classificou como “louca” a campanha contra a energia eólica da atual administração republicana. O atual presidente da Generation Investment Management, argumentou no decorrer do Fórum Económico Mundial em Davos, citado pela Bloomberg, que as energias renováveis estão a dominar a eletrificação das economias, pelo que “não temos realmente qualquer escolha sobre isto”.
A análise da American Clean Power contradiz a narrativa oficial da Casa Branca. Os recursos de energia limpa podem ser implementados de forma mais rápida e operar a um custo de longo prazo inferior. Novas cargas elétricas podem ser construídas em apenas um a dois anos, enquanto novas centrais de gás natural requerem tipicamente cinco a sete anos para licenciar e construir, além de enfrentarem constrangimentos no fornecimento de turbinas. Sem novas fontes renováveis, a região tornar-se-ia crescentemente dependente de combustíveis fósseis envelhecidos e importações de eletricidade, com as importações líquidas de energia a aumentarem quase 300% até 2035, segundo a análise.
Custos energéticos dividem EUA entre renováveis e fósseis
O debate sobre custos energéticos já moldou recentes resultados eleitorais. A questão desempenhou um papel importante nas vitórias das democratas Mikie Sherrill e Abigail Spanberger nas corridas para governar os estados de Nova Jérsia e Virgínia, respetivamente. As faturas de eletricidade em Nova Jérsia subiram mais de 20% no último ano, antes das eleições, enquanto o maior fornecedor da Virgínia aumentou as tarifas em cerca de 9%.
Enquanto a administração Trump pressiona pela construção de “grandes centrais de energia confiáveis”, como descreveu o secretário de Energia Chris Wright, alguns estados individuais avançam com políticas próprias. Illinois aprovou a Lei de Acessibilidade de uma Rede Limpa e Confiável, estabelecendo o primeiro programa de aquisição de armazenamento de energia do estado para adquirir 3.000 megawatts de capacidade até 2030. A legislação bipartidária prevê poupanças de 13,4 mil milhões de dólares nas contas de energia ao longo de 20 anos.
A American Clean Power argumenta que energia eólica, solar e armazenamento podem ajudar a satisfazer a procura crescente, apoiar a adequação de recursos e estabilizar os preços grossistas durante um período crítico de crescimento da carga. O vice-presidente sénior da organização, John Hensley, observa que “adiar a implantação de energia limpa tem um custo elevado”. Adicionar que “investimentos oportunos em energia eólica, solar e armazenamento de energia são essenciais para manter a confiabilidade, reduzir a dependência de importações e proteger famílias e empresas de contas de eletricidade significativamente mais altas, à medida que a procura continua a crescer”.
A questão permanece politicamente volátil. O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, já ameaçou retirar o estado da rede PJM se os custos não forem controlados, demonstrando como a pressão sobre tarifas energéticas atravessa linhas partidárias. Tanto Shapiro, democrata, como o governador republicano da Virgínia, Glenn Youngkin, participaram no evento da Casa Branca sobre o leilão de energia, sinalizando preocupações de ambos os partidos com a escalada de custos que ameaça tanto consumidores residenciais quanto a competitividade industrial da região.
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