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Cortiça portuguesa voltou ao espaço na missão Artemis II da NASA
Material desenvolvido pela Corticeira Amorim integrou sistema de proteção térmica da nave nesta missão, após estreia na Artemis I. A sua função é proteger estruturas críticas no lançamento e na reentrada em atmosfera.
12 Abr 2026 - 10:30
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Foto: Bill Ingalls / NASA
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Foto: Bill Ingalls / NASA
A cortiça portuguesa voltou a marcar presença no programa lunar da NASA. Depois de ter sido utilizada na missão Artemis I, a Corticeira Amorim participou agora na Artemis II, integrando o sistema de proteção térmica da nave. Os astronautas regressaram à Terra na cápsula Orion na madrugada deste sábado.
O material, à base de cortiça e desenvolvido para aplicações aeroespaciais, é utilizado como isolante em componentes sujeitos a temperaturas extremas durante o voo. A sua função é proteger estruturas críticas tanto no lançamento como na reentrada em atmosfera, em ambientes considerados dos mais exigentes da engenharia espacial.
Ao contrário das aplicações tradicionais, a cortiça é transformada num compósito de alto desempenho, designado P50. Este material combina propriedades como isolamento térmico em condições extremas, absorção de energia mecânica e flexibilidade para adaptação a geometrias complexas, mantendo compatibilidade com sistemas compósitos avançados.
Segundo Eduardo Soares, diretor de inovação da Amorim Cork Solutions, o papel do material é “proteger ao sacrificar-se”. Quando exposta a temperaturas elevadas, a cortiça sofre uma transformação controlada, formando uma camada carbonizada que reforça a resistência térmica e protege as estruturas subjacentes.
A empresa portuguesa diz que a reutilização do material na Artemis II surge como um indicador de fiabilidade num setor em que todos os componentes são sujeitos a testes rigorosos. Para António Rios de Amorim, presidente e CEO, a continuidade da cortiça nas missões do programa Artemis “não é assumida – é conquistada através do desempenho”.
Extraída de sobreiros do montado mediterrânico, a cortiça mantém uma base natural e renovável, sendo combinada com ligantes de elevada resistência ao fogo para responder às exigências do setor aeroespacial. A empresa destaca ainda a capacidade do material para suportar fluxos térmicos extremos, na ordem das dezenas de megawatts por metro quadrado.
A participação na Artemis II insere-se numa estratégia mais ampla de desenvolvimento de soluções para a nova economia espacial, focada na ciência dos materiais. A Corticeira Amorim afirma estar a trabalhar em novas abordagens “mais sustentáveis” para sistemas de proteção térmica, procurando reforçar a posição da cortiça como material de alto desempenho em contextos tecnológicos exigentes.
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