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Crise no Irão acelera medidas públicas de descarbonização a nível global

Até maio, 23 países anunciaram medidas sobre energia limpa e eletrificação, citando preocupações de segurança energética. A confiança dos investidores em tecnologia limpa também aumenta.

18 Mai 2026 - 13:36

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Foto: Freepik

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Os elevados preços do petróleo e do gás desencadeados pela guerra no Irão levou 23 países a anunciarem publicamente medidas no domínio da energia limpa, com o objetivo de acelerar a sua a transição para fontes renováveis e para a eletrificação.

Uma análise da Zero Carbon Analytics indica que as medidas são levadas a cabo por preocupações com a sua segurança energética, desencadeadas pela segunda grande crise do petróleo e gás em cinco anos. “Desde a invasão EUA-Israel do Irão a 28 de fevereiro de 2026, verificou-se uma tomada de consciência estrutural da vulnerabilidade geopolítica das cadeias de abastecimento de combustíveis fósseis e da resiliência das renováveis e da eletrificação”, referem os analistas da organização sedeada em Londres.

O estudo cita como exemplo o caso do Reino Unido que recentemente introduziu regras que exigem que todas as novas casas em Inglaterra sejam equipadas com bombas de calor e painéis solares. Também o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, assumiu recentemente o compromisso de implementar 100 GW de energia solar nos próximos três anos. Já o Governo das Filipinas anunciou que iria acelerar cerca de 1,47 GW de energia renovável e armazenamento ainda nos primeiros meses do ano.

Para além destes, também a Austrália, o Canadá e a China anunciaram iniciativas para acelerar a descarbonização das suas economias, para não dependerem tanto de combustíveis fósseis.

A análise destaca também que a proliferação de compromissos em energia limpa impulsionada por recentes conflitos está a aumentar a confiança dos investidores na energia verde.

Renováveis atraem investimento

O investimento na transição energética global atingiu um recorde de 2,1 biliões de dólares em 2025, um aumento de 8% face a 2024, segundo a BloombergNEF, a unidade de investigação da Bloomberg especializada em mercados de energia e tecnologias limpas.

Uma revisão de fundos cotados (ETF) de energia limpa e energia tradicional incorporados nos EUA mostra que os ETF de energia limpa estão a superar os ETF de energia tradicional no início de maio, influenciados pelos desafios nos mercados energéticos globais desde o início da guerra no Irão.

Segundo dados da Morningstar, os ETF ligados as energias renováveis atraíram mais de 2,8 mil milhões de euros em abril de 2026, o maior fluxo mensal líquido desde janeiro de 2021.

“Embora os preços mais elevados do petróleo tenham inicialmente beneficiado as empresas energéticas, a perturbação prolongada no Estreito de Ormuz criou uma incerteza geopolítica significativa, receios de recessão e preocupações com a destruição da procura devido aos preços elevados, o que poderá ter limitado os ganhos das ações de combustíveis fósseis”, destaca os analistas.

A 31 de março, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que a guerra no Irão poderia terminar em duas a três semanas e disse aos Aliados para “irem buscar o seu próprio petróleo”. A análise sublinha que, embora isto tenha criado expectativas de alívio nas perturbações energéticas, o setor do petróleo e gás enfrentou sinais contraditórios, reforçando a ideia de que, mesmo com otimismo quanto ao fim da guerra, a fragilidade das cadeias de abastecimento de combustíveis fósseis ficou exposta. “Isto poderá refletir uma mudança estrutural no sentimento dos investidores, evidenciada pela subida das ações de energia limpa”, assinala a Zero Carbon Analytics.

O desempenho positivo das ações de energia limpa também se verificou em fundos domiciliados fora dos EUA. O Storebrand Global Solutions, um fundo de ações sem combustíveis fósseis que investe em empresas alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, apresentou um desempenho sólido no primeiro trimestre de 2026. Num contexto de mercado volátil, a energia renovável foi o tema de melhor desempenho na carteira, seguida por redes e infraestruturas.

O maior detentor individual de ativos do mundo, o fundo soberano da Noruega com cerca de 1,9 biliões de euros, tem sido “invulgarmente explícito” sobre os planos para expandir os seus investimentos em renováveis. A 5 de maio de 2026, o Norges Bank Investment Management anunciou estar no caminho para atingir 1% dos ativos em infraestrutura de energia renovável não cotada até 2030, com potencial de expansão para 2%, dependendo das oportunidades de mercado.

Confiança reforçada nas renováveis

A análise destaca ainda que os sentimentos dos investidores de curto prazo mudaram a favor das renováveis desde que arrancou a guerra no Irão. Desde 2023, o Climate Opinion Research Exchange acompanha as perceções globais dos investidores sobre a transição energética. Os dados de março de 2026 mostram um aumento da confiança nas renováveis para retornos a 12 meses: 14% dos investidores colocam-nas no topo, contra 9% no ano anterior.

Apesar desta subida, as renováveis continuam a ser vistas como a opção com pior desempenho no curto prazo. No entanto, num horizonte de 10 anos, mantêm-se como a tecnologia com os retornos mais elevados esperados, enquanto petróleo e carvão são consistentemente avaliados como os piores.

Em paralelo, diminui também o apoio dos investidores à ideia de que o gás natural é essencial na transição energética. A percentagem que concorda com essa afirmação caiu de 62% em março de 2025 para 54% um ano depois.

A descida é mais acentuada na Ásia, onde recuou para 48%, um mínimo histórico desde o início deste inquérito, refletindo a maior exposição da região a choques de preços e escassez de gás.

 

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