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Dessalinizadora de Sines avança para estudo prévio e de impacte ambiental
Ministra da tutela tinha apontado 2027 para início da construção em São Torpes, mas ainda sem as avaliações prévias. Nesta terça-feira, um mês depois do anúncio da obra, Águas de Portugal abre concurso para elaboração de estudos.
23 Dez 2025 - 16:00
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Foto: Marina de Sines | Wikimedia
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Foto: Marina de Sines | Wikimedia
O Grupo Águas de Portugal abriu concurso para a elaboração do Estudo Prévio e do Estudo de Impacte Ambiental da dessalinizadora que o Governo pretende instalar em São Torpes, destinada a abastecer a Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS). O projeto, integrado na estratégia “Água que Une”, surge como resposta às crescentes necessidades hídricas do polo industrial, mas o executivo anunciou-o sem ter antes avaliado os impactos ambientais da operação.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, tinha adiantado em novembro à agência Lusa que a dessalinizadora, situada no distrito de Setúbal, começará a ser construída em 2027 e deverá ficar concluída em 2031, representando um investimento de 120 milhões de euros.
A central está dimensionada para produzir 16 hectómetros cúbicos anuais numa fase inicial, com possibilidade de duplicar para 32 hm³/ano, consoante a procura. O objetivo é aliviar a pressão sobre o rio Sado e o Alqueva, recursos já sob stress hídrico. Contudo, as infraestruturas serão construídas desde logo com capacidade total, numa aposta que não contempla futuras necessidades.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, justifica, numa nota enviada nesta terça-feira às redações, que a iniciativa se insere numa “estratégia nacional que garante água para atração de investimento, para proteção dos recursos hídricos e para preparar o país para as alterações climáticas, com soluções tecnicamente robustas, ambientalmente responsáveis e devidamente avaliadas”. Não explica, porém, como se concilia esta responsabilidade ambiental com uma tecnologia reconhecidamente intensiva em energia e geradora de salmoura concentrada, cujo impacto nos ecossistemas marinhos permanece por avaliar.
O concurso agora lançado contempla não apenas os estudos técnicos e ambientais, mas também a preparação das peças para o futuro concurso de conceção, construção e operação. O processo promete cumprir “escrupulosamente” os regimes legais, embora primeiro anuncie e depois avalie.
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