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El Niño poderá provocar 451 mil mortes adicionais por calor
Climate Impact Lab alerta que o fenómeno meteorológico poderá antecipar temperaturas extremas que seriam esperadas só daqui a 20 anos e reforça a urgência de investir na adaptação.
26 Set 2026 - 15:22
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O fenómeno El Niño poderá provocar 451 mil mortes adicionais devido ao calor extremo, entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, segundo um novo relatório do Climate Impact Lab, iniciativa de investigação associada à Universidade de Chicago, EUA.
A este impacto juntam-se os efeitos das secas, dos incêndios florestais e das inundações esperados em consequência das temperaturas mais elevadas e da alteração dos padrões de precipitação, uma vez que este El Niño poderá tornar-se o mais forte de que há registo, segundo a Organização Meteorológica Mundial.
“Há muito que conseguimos prever o impacto das temperaturas nas culturas agrícolas e, agora, podemos prever o seu impacto no pior dos resultados — a morte. O resultado é que conseguimos agora estimar que 451.000 pessoas poderão morrer nos próximos meses devido ao El Niño. É um número tão elevado que pode ser difícil de apreender, mas é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam das suas famílias e vivem as suas vidas”, afirma Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab e Milton Friedman Distinguished Service Professor de Economia na Universidade de Chicago. “Este relatório permite aos decisores identificar exatamente onde podem ser tomadas medidas de emergência já, para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses.”
O relatório identifica as regiões onde se prevê que morra o maior número de pessoas e indica onde ações imediatas poderão oferecer as maiores oportunidades para salvar vidas.
O número projetado para os primeiros nove meses do fenómeno é cerca de 65 vezes superior às 6.800 pessoas que se estima terem morrido ou desaparecido nas recentes inundações repentinas no Nepal, segundo o relatório.
Os impactos na mortalidade deverão concentrar-se sobretudo no Sul Global. Só nos próximos seis meses, o Climate Impact Lab estima 66.800 mortes adicionais no Sahel, faixa a sul do deserto do Sara que inclui países como o Níger, o Chade, o Sudão e partes da Nigéria. Segundo a projeção, quase metade das mortes nesta região ocorrerão na Nigéria, com 31.400 estimadas. O Sudão deverá registar mais 17.500 mortes relacionadas com o calor, enquanto o Níger e o Chade deverão contabilizar, respetivamente, mais 10.000 e 8.000.
No Sudeste Asiático, o calor adicional poderá provocar 19.400 mortes nas Filipinas, no Vietname, na Tailândia e no Camboja, além de 19.300 na Indonésia. Na Índia, a projeção aponta para mais 15.800 mortes e, na América do Sul, o Brasil deverá ser o país mais afetado, com 13.300 mortes atribuídas ao calor associado ao El Niño.
O relatório defende que a concentração das respostas de emergência e das medidas de adaptação nas regiões mais vulneráveis poderá evitar dezenas de milhares de mortes. Entre as medidas identificadas estão sistemas de alerta precoce, centros de arrefecimento e mecanismos de proteção dos trabalhadores mais expostos ao calor.
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