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Eletricidade a caminho de representar um terço do consumo final de energia mundial

Agência Internacional de Energia aponta crise de Ormuz como oportunidade para acelerar a eletrificação, que poderá passar de 23% do consumo final atual para 33% em 2035, aproximando-se da meta global de 35% em discussão para a COP31.

28 Set 2026 - 06:47

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Foto Pexels

Autor

Maria Almendra Carvalho

Jornalista estagiária

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Foto Pexels

A Agência Internacional de Energia (AIE) considera que o choque no Estreito de Ormuz reforça a necessidade de os países acelerarem a eletrificação das suas economias para aumentar a segurança energética e reduzir a dependência de combustíveis importados.

A eletricidade poderá representar 33% do consumo final de energia mundial em 2035, face aos atuais 23%, aproximando-se da meta global de 35% em discussão para a COP31, concluiu a AIE, num relatório, elaborado a pedido da Turquia, país que preside à COP31, e da Austrália. 

“Os preços da energia nos níveis atuais, em meio à crise no Estreito de Ormuz, tornariam economicamente viável eletrificar uma parcela ainda maior do consumo energético mundial”, refere a AIE.

Para a organização, a eletricidade tem vindo a assumir um papel crescente nas economias mundiais. Nos últimos anos, o consumo global de eletricidade aumentou mais rapidamente do que a atividade económica e quase duas vezes mais depressa do que a procura total de energia, impulsionado pelo crescimento da utilização de ar condicionado, centros de dados, indústria transformadora avançada e veículos elétricos.

“À medida que o mundo entra na era da eletricidade, esta mudança pode trazer grandes benefícios para a competitividade económica, a segurança energética e as transições energéticas”, salienta a agência.

Num cenário de aceleração significativa da eletrificação nos países importadores de combustíveis, as respetivas faturas de importação de energia poderiam diminuir em mais de 400 mil milhões de dólares até 2035, face aos níveis de 2025, de acordo com o relatório.

A AIE estima ainda que, nesse cenário, o consumo mundial de petróleo poderia ser inferior em 18 milhões de barris por dia em 2035 face ao que seria registado sem essa aceleração, sobretudo devido à adoção mais rápida de veículos elétricos.

A eletrificação poderá inda contribuir para reduzir as emissões dos transportes, edifícios e indústria, setores que, em conjunto, representam mais de metade das emissões de dióxido de carbono (CO2) relacionadas com a energia.

Num cenário de eletrificação mais rápida, as emissões de CO2 destes três setores poderiam cair 40% até 2035, um ritmo de redução que a AIE considera alinhado com os objetivos climáticos internacionais. Segundo a organização, esta redução seria suficiente para colocar as emissões totais de CO2 relacionadas com a energia numa “trajetória descendente”, independentemente do volume de produção de eletricidade.

O choque no Estreito de Ormuz está também a aumentar o interesse dos países por tecnologias elétricas, segundo a AIE. Assim, o relatório identifica potencial para aumentar de forma competitiva as taxas de eletrificação em todas as regiões, embora as oportunidades e prioridades variem entre países.

Nas economias emergentes e em desenvolvimento, por exemplo, a eletrificação de bombas de água agrícolas, a expansão dos veículos elétricos de duas e três rodas e uma maior utilização de eletricidade por pequenas empresas dos setores alimentar e têxtil estão entre as oportunidades identificadas pela AIE.

“Realizar este potencial exigirá uma ação mais abrangente para acelerar a eletrificação em linha com aquilo que é economicamente competitivo”, afirma a organização, em comunicado.

Segundo a Agência Internacional de Energia, será necessário aumentar o investimento na produção de eletricidade e nas redes, além de desenvolver sistemas elétricos mais inteligentes e flexíveis.

A organização identifica ainda novos desafios para a segurança elétrica, incluindo a concentração das cadeias de abastecimento de tecnologias essenciais e minerais críticos, os riscos de cibersegurança e os impactos de catástrofes naturais e fenómenos climáticos extremos.

A AIE sublinha, por fim, que, para garantir que os benefícios da eletrificação sejam amplamente partilhados, os decisores políticos e os governos terão de ajudar algumas famílias e empresas a suportar os custos iniciais associados à eletrificação.

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