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Empresas dos EUA marcam presença na COP30 apesar do ceticismo de Trump

Uma análise da Reuters às listas de participantes revela que 60 representantes de empresas norte-americanas estiveram no encontro, um aumento face aos 50 do último ano.

24 Nov 2025 - 12:04

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Foto: Freepik

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Apesar do distanciamento da administração norte-americana face à agenda climática internacional antes da COP30, realizada no Brasil, as grandes empresas dos Estados Unidos marcaram presença em força. Uma análise da Reuters às listas de acreditação revela que 60 representantes de empresas da Fortune 100 estiveram no encontro, um aumento face aos 50 registados no ano anterior, no Azerbaijão. Muitas outras integraram ainda iniciativas pré-COP em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Entre os nomes presentes na lista provisória de participantes divulgada pela ONU figuravam gigantes tecnológicos como a Microsoft e a Google, a petrolífera Occidental Petroleum, a construtora automóvel General Motors e o banco Citigroup.

“Não vimos nenhuma mudança perceptível no envolvimento das empresas americanas na política climática ao longo deste ano. E isso certamente refletiu-se nos níveis de participação”, afirmou o vice-secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional, Andrew Wilson, citado pela Reuters. Segundo o responsável, cresce também a preocupação empresarial com o impacto financeiro dos fenómenos meteorológicos extremos.

Os executivos presentes no Brasil defenderam que abandonar agora o debate climático seria contraproducente, numa altura em que temperaturas mais elevadas colocam em risco fábricas, cadeias de fornecimento e resultados. “Estamos a fazê-lo porque é bom para o negócio. Ajuda a criar segurança no abastecimento”, admitiu o diretor de sustentabilidade da PepsiCo, Jim Andrew, lembrando a dependência da empresa em relação ao sucesso dos agricultores.

Gestores públicos e setor privado a preencher o vazio

Entre os participantes nos encontros paralelos à COP30 esteve Darren Woods, CEO da ExxonMobil, acompanhado por autarcas e outros líderes norte-americanos. Um envolvimento que, segundo Lou Leonard, reitor da nova Escola de Clima, Ambiente e Sociedade da Universidade Clark, será determinante na trajetória futura das emissões dos EUA.

Uma análise conduzida pelo Centro para a Sustentabilidade Global da Universidade de Maryland estima que a combinação de políticas federais e não federais poderá reduzir as emissões norte-americanas em 35% até 2035, uma dinâmica em grande parte impulsionada pelas empresas.

“Apesar das manchetes, o setor privado continua a investir e a implantar energia limpa”, sublinhou à Reuters Gina McCarthy, antiga administradora da Agência de Proteção Ambiental e copresidente da coligação “America Is All In”. Adiantou também que, no ano passado, “os empregos em energia limpa nos EUA cresceram três vezes mais rápido do que o resto da força de trabalho do país”.

A COP30 contou também com a presença de empresas de menor dimensão, sobretudo ligadas a setores em expansão na economia de baixo carbono, incluindo os mercados de créditos de carbono. “Estar aqui é uma forma de nos conectarmos globalmente”, defendeu Brennan Spellacy, CEO da plataforma Patch.

Sinal ao mercado global

Mesmo com a retórica federal oscilante, e recordando que o Presidente Donald Trump chegou a classificar as alterações climáticas como uma farsa, as regras internacionais da transição energética continuam a acelerar. Embora o acordo final da cimeira tenha gerado algumas desilusões, “o mercado está a avançar” e os decisores reconhecem a direção a tomar, argumentou Jack Hurd, responsável do Fórum Económico Mundial, citado pela Reuters.

Segundo dados da plataforma CDP, um número crescente de empresas norte-americanas começa a divulgar planos climáticos, ainda que a qualidade global dessas estratégias continue baixa e apesar de Washington ter recuado na criação de uma regra federal obrigatória.

Independentemente da participação formal nas negociações, a presença das empresas dos EUA foi, para Maria Mendiluce, CEO da We Mean Business Coalition, altamente significativa. “Os EUA têm um papel decisivo na política climática, energética e industrial global, por isso é importante que líderes subnacionais, atores não estatais e empresas estejam presentes na COP30”, defendeu.

“Mesmo quando a política interna é instável”, acrescentou à Reuters, “os Estados Unidos continuam a moldar mercados, fluxos de capital e caminhos tecnológicos. O seu envolvimento sinaliza aos investidores que a maior economia do mundo compreende os desafios da transição energética em termos de competitividade, inovação, segurança e cadeia de abastecimento”.

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