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Energia geotérmica pode substituir 42% da eletricidade a carvão e gás na UE
Avanços na perfuração profunda tornam a geotermia competitiva em grande parte da Europa. Análise da Ember expõe atraso europeu face aos EUA e ao Canadá.
09 Fev 2026 - 07:35
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Uma nova análise da Ember concluiu que a energia geotérmica tem potencial para substituir 42% da eletricidade atualmente produzida a partir do carvão e do gás na União Europeia (UE). O estudo aponta para um salto tecnológico na perfuração profunda e nos chamados Sistemas Geotérmicos Melhorados (EGS, na sigla em inglês), que poderá transformar a geotermia de um recurso limitado a zonas vulcânicas numa fonte de energia convencional, estável e disponível de forma contínua.
Segundo a Ember, cerca de 43 gigawatts (GW) de capacidade geotérmica melhorada poderiam ser desenvolvidos na UE a custos inferiores a 100 euros por megawatt-hora (MWh), um valor comparável, e por vezes inferior, ao da eletricidade produzida a partir do carvão e do gás. Nos últimos anos, os preços destes combustíveis fósseis oscilaram entre 90 e 150 euros/MWh, refletindo a volatilidade dos mercados internacionais e a dependência europeia das importações.
Se plenamente explorada, esta capacidade permitiria gerar cerca de 301 terawatts-hora (TWh) de eletricidade por ano. O maior potencial identificado concentra-se na Hungria, com 28 GW, seguida da Polónia, Alemanha e França.
“Outrora restrita a alguns pontos geológicos importantes, como a Islândia ou a Toscana, a energia geotérmica moderna é agora competitiva em termos de custos com o gás em grande parte do continente”, argumenta Tatiana Mindekova, consultora política da Ember e autora do relatório. Para a responsável, trata-se de um recurso “livre de carbono, que não depende do clima e reforça a segurança energética” numa altura em que a UE procura reduzir emissões e responder ao aumento da procura elétrica da indústria pesada e dos centros de dados.
Durante décadas, a profundidade foi o principal obstáculo à expansão da geotermia, com a maioria das centrais limitadas a perfurações até três quilómetros. As novas técnicas, adaptadas da indústria do petróleo e do gás, permitem aceder a camadas rochosas mais profundas e quentes, multiplicando por cinquenta o potencial geotérmico europeu, explica a Ember.
O estudo sublinha ainda o papel da geotermia no contexto do crescimento acelerado das infraestruturas digitais. Com base em tendências observadas nos Estados Unidos, a Ember estima que esta fonte possa satisfazer até 64% do aumento da procura de eletricidade dos centros de dados até ao início da próxima década, oferecendo uma alternativa constante às renováveis intermitentes.
Apesar do potencial, a análise alerta para o risco de a Europa perder terreno. Embora tenha sido pioneira em alguns projetos-piloto, a UE enfrenta processos de licenciamento longos e carece de uma estratégia comum, enquanto EUA e Canadá avançam com incentivos públicos direcionados. “O desafio para a Europa já não é se o recurso existe, mas se o progresso tecnológico é acompanhado por políticas que permitam a escala e reduzam o risco na fase inicial”, defende Mindekova.
O Conselho Europeu de Energia Geotérmica considera que os resultados do relatório tornam incontornável uma aposta política clara. “O potencial de substituir 42% da produção de carvão e gás é demasiado significativo para ser ignorado”, afirma Sanjeev Kumar, diretor de políticas da organização, apelando à Comissão Europeia para remover obstáculos à implantação em larga escala.
Também a Clean Air Task Force sublinha que a geotermia de última geração pode tornar-se um pilar do sistema energético europeu, não apenas no aquecimento, mas também na produção de eletricidade limpa e fiável. Num contexto de metas climáticas mais exigentes e de crescente pressão sobre a segurança do abastecimento, o calor sob os pés da Europa surge, segundo o relatório, como uma alternativa até agora subexplorada.
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