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Energia renovável fora da rede serviu mais de 64,5 milhões de pessoas em África
Relatório da IRENA mostra que renováveis fora da rede podem representar uma oportunidade para evitar desigualdades no acesso à luz, criar empregos e oportunidades de negócio.
05 Jan 2026 - 17:42
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Foto: Adobe stock/ShStock
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A capacidade global de energia renovável fora da rede (DRE, na sigla em inglês) no final de 2024 serviu mais de 86 milhões de pessoas, com África a representar 3/4 do total dos beneficiários (64,5 milhões), segundo um relatório anual da Agência Internacional de Energias Renováveis. A IRENA destaca, no entanto, que a maioria das famílias sem acesso à rede que utilizavam estes sistemas tinha menos de 8 horas de eletricidade por dia para fins básicos de iluminação, dado que a energia é priorizada para setores finais, como a agricultura e saúde.
Embora 92% da população global já tenha acesso à eletricidade, prevalecem ainda mais de 660 milhões de pessoas sem essa possibilidade, e 80% habita a África Susbsaariana, conforme o “Relatório de Progresso Energético 2025” da IRENA. A agência sublinha nesta segunda-feira que, perante tal realidade, a DRE pode representar uma oportunidade para evitar desigualdades no acesso à luz.
Uma vez que a DRE aproxima a produção e distribuição de eletricidade do consumidor final, a sua implantação cria empregos locais e oportunidades de negócio, frisa a agência. As soluções fora da rede também aumentam o acesso à água potável e saneamento. Com iluminação e eletricidade, os estudantes em áreas remotas podem prolongar as suas horas de estudo, bem como aceder à aprendizagem digital e melhorar a qualidade da sua educação com o apoio da energia sustentável. O maior uso de DRE está também a fortalecer a participação económica equitativa de mulheres na força de trabalho do setor energético, adianta a IRENA neste “Off-grid Renewable Energy Statistics”.
Apostar em renováveis descentralizadas
No condado de Kwale, no Quénia, a energia solar fora da rede tem ajudado as comunidades piscatórias a refrigerar as suas capturas, nos dias em que não é possível ir para o mar devido às condições adversas. “Isto, por sua vez, garante rendimentos sustentáveis e apoia a sua subsistência através de preços mais justos”, explica a IRENA.
Em Bugesera, província no Ruanda, um grupo de mulheres construiu um sistema de irrigação movido a energia solar na sua quinta, para dar resposta à dificuldade de acesso à água. A agência sublinha que, desde então, têm cultivado “frutas e legumes de melhor qualidade que alimentam as suas famílias e impulsionam a economia local”.
Depois de instalar um poço de água com energia solar, uma escola rural em Epworth, no Zimbábue, viu uma grande mudança. Com água potável disponível, as crianças que antes faltavam às aulas por causa da sede e fome começaram a ir regularmente, segundo a IRENA. As famílias também passaram a ter água para beber e usar no dia a dia. Além disso, a comunidade está a aprender a cultivar cogumelos orgânicos numa quinta que usa energia solar, aproveitando resíduos para produzir alimentos.
Em Hogave, Papua-Nova Guiné, mini-hidroelétricas trouxeram eletricidade estável para a comunidade, incluindo a escola local. Os alunos agora podem utilizar dispositivos digitais nas aulas. E, com luz elétrica à noite, os estudantes já não precisam de estudar no escuro.
Em novembro, o diretor-geral da IRENA alertava que o financiamento global em renováveis “continua altamente concentrado nas economias mais avançadas”. Francesco La Camera dizia que “a forte dependência do capital voltado para o lucro está a deixar os países em desenvolvimento para trás”, e concluiu: “Onde o financiamento privado não flui, o setor público deve liderar, apoiado por uma cooperação multilateral e bilateral mais forte e um financiamento climático em escala”.
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