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Escassez de trabalhadores qualificados ameaça crescimento da energia limpa na União Europeia

Setor da energia limpa enfrenta também desafios de inclusão, com as mulheres e os jovens sub-representados, segundo a Agência Europeia do Ambiente. Portugal entre os países que lideram no emprego associado às bombas de calor.

29 Set 2026 - 06:44

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Foto Magnific

Two construction workers review a blueprint beside rows of solar panels in a sunny outdoor site.

Foto Magnific

As tecnologias de energia limpa estão a criar centenas de milhares de empregos em toda a União Europeia (UE), no entanto, a persistente escassez de trabalhadores qualificados ameaça travar o crescimento futuro do setor, segundo um novo relatório publicado pela Agência Europeia do Ambiente (AEA). A análise acrescenta que o setor da energia limpa enfrenta simultaneamente desafios de inclusão, dado que as mulheres e os jovens continuam sub-representados.

A AEA analisou o emprego em quatro tecnologias – eólica, solar fotovoltaica, bombas de calor e baterias – concluindo que a energia eólica é a que emprega mais trabalhadores, com cerca de 273.500 empregos diretos na UE em 2023. Deste total, 77% estavam no segmento das operações a jusante, ou seja, na manutenção, contratação de energia e administração de vendas, seguido pelo fabrico.

A segunda será a energia solar fotovoltaica, que empregava diretamente mais de 227 mil pessoas em 2023, com cerca de metade nas operações e 36% no segmento da construção da cadeia de valor, que inclui atividades como trabalhos de infraestruturas, preparação dos locais e ligação à rede. O relatório “Tecnologias de energia limpa na União Europeia — implicações para empregos de qualidade, competências e uma transição justa”, indica que, apesar disso, o fabrico de painéis solares fotovoltaicos na UE “continua limitado”.

Há cada vez mais empregos verdes mas formação ainda não acompanha a procura

 

Quanto ao setor das bombas de calor, este empregava cerca de 80.100 trabalhadores em 2023, sobretudo no segmento da construção (65%), e apresenta um potencial significativo de crescimento em toda a UE.

Por fim, o setor das baterias, embora seja mais pequeno, com cerca de 33 mil trabalhadores, registou o crescimento mais rápido do emprego entre as quatro tecnologias no período de 2018 a 2023. A maioria dos postos de trabalho está concentrada no fabrico, enquanto a investigação e desenvolvimento continua a ser fundamental para as tecnologias da próxima geração.

Alemanha lidera emprego nas tecnologias limpas

Dentro da UE, o emprego nas tecnologias limpas encontra-se distribuído de forma desigual. A Alemanha concentra o maior número absoluto de trabalhadores nos setores eólico (125 mil empregos em 2023), solar fotovoltaico (quase 84 mil empregos) e baterias (12.300 empregos), embora não tenha a maior percentagem do emprego total.

Portugal, Espanha e Itália lideram no emprego associado às bombas de calor, enquanto a Hungria e a Polónia apresentam o crescimento mais rápido do emprego no setor das baterias.

O relatório salienta que esta concentração reflete frequentemente forças industriais e bases de competências já existentes. “Uma distribuição desigual pode agravar as disparidades regionais, caso as políticas públicas não assegurem uma participação mais ampla dos diferentes territórios”, refere a AEA.

Setor enfrenta desafios de inclusão

O relatório conclui que a expansão do emprego na energia limpa não se traduz automaticamente em mercados de trabalho mais inclusivos. A participação das mulheres varia entre 26% na energia eólica e nas baterias e apenas 14% no setor das bombas de calor. Já os trabalhadores jovens, entre os 15 e os 24 anos, representavam apenas 6% a 7% da força de trabalho nos setores eólico, solar fotovoltaico e das bombas de calor em 2023.

“A escassez de trabalhadores qualificados ameaça a implementação das tecnologias de energia limpa e a maioria dos Estados-membros reporta lacunas em funções técnicas essenciais relacionadas com a instalação e a construção. É necessária uma ação política coordenada para aumentar, à escala necessária, a formação, a requalificação e a disponibilidade de trabalhadores”, refere a AEA.

A qualidade do emprego também varia significativamente entre tecnologias e segmentos da cadeia de valor. Os salários no setor das bombas de calor são cerca de 40% inferiores aos da energia eólica, o setor com os salários mais elevados entre os quatro analisados.

As funções de operação e manutenção, mais comuns na energia eólica, tendem a proporcionar emprego mais estável e maior acesso a formação. Já as funções de construção e instalação nos setores solar fotovoltaico e das bombas de calor são mais dependentes de projetos, estão mais expostas a riscos físicos, como temperaturas extremas, e oferecem menos oportunidades de formação.

O impacto do fabrico de baterias na saúde e segurança dos trabalhadores, bem como nas comunidades locais e no ambiente, continua a ser também uma fonte de preocupação.

O relatório apela, por fim, a uma ação política coordenada para reforçar a formação e a requalificação. Salienta também a necessidade de melhorias na qualidade do emprego, de forma a atrair e manter trabalhadores num setor “confrontado com uma escassez significativa de mão de obra qualificada”.

 

 

 

 

 

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