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Há cada vez mais empregos verdes mas formação ainda não acompanha a procura

As projeções do estudo do Cedefop indicam que, caso se mantenha a tendência atual, quase um em cada cinco empregos que exigem competências verdes poderá ficar por preencher até 2030. 

03 Ago 2026 - 06:23

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Foto: Adobe Stock

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A aposta da União Europeia na transição verde está a transformar de forma profunda o mercado de trabalho, criando profissões que praticamente não existiam há uma década. No entanto, o ritmo de formação de trabalhadores qualificados ainda não acompanha a procura, mostra o novo relatório do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional (Cedefop na sigla original).

As projeções do estudo indicam que, caso se mantenha a tendência atual, quase um em cada cinco empregos que exigem competências verdes poderá ficar por preencher até 2030. 

O relatório mostra ainda que, entre 2018 e 2023, o peso do emprego ligado à energia solar fotovoltaica e à energia solar concentrada mais que triplicou, passando de 9% para 30% do total do emprego em tecnologias limpas, enquanto o associado às bombas de calor subiu de 15% para 23%. 

Além disso, o estudo conclui que pelo menos 92% das empresas europeias dizem já estar a tomar medidas para reduzir emissões, o que, segundo o Cedefop, “alimenta a procura por perfis técnicos especializados”.

Entre as novas profissões identificadas destacam-se os engenheiros de conceção, responsáveis por traduzir objetivos climáticos em soluções técnicas viáveis, tanto na energia solar como em sistemas de climatização e os engenheiros de energia, os instaladores de painéis solares e sistemas HVAC. 

Paralelamente, o Cedefop denuncia ainda a falta de técnicos de comissionamento, que testam e validam sistemas antes da entrada em funcionamento e de técnicos de manutenção, incluindo especialistas em turbinas eólicas e em pás de aerogeradores. 

O relatório sublinha ainda o papel crescente de engenheiros de qualidade, dos especialistas de garantia de qualidade e, cada vez mais, profissionais de cibersegurança, à medida que as redes energéticas “se tornam mais digitais e interligadas”.

Apesar deste desenvolvimento do setor, o Cedefop alerta para o desequilíbrio do setor, uma vez que a procura por competências verdes está a crescer a um ritmo mais do que duas vezes superior ao da oferta. 

Neste sentido, quase 80% das empresas europeias apontam a falta de pessoal qualificado como um obstáculo direto ao investimento. Se o número de profissionais qualificados não duplicar, a UE poderá enfrentar, até 2050, uma escassez de mão de obra adequada para cerca de metade dos empregos verdes.

Perante este cenário, o Cedefop recomenda o “reforço da inteligência sobre competências para detetar precocemente novas profissões, a expansão da formação profissional em áreas como bombas de calor, hidrogénio e armazenamento de baterias”. 

Outra das medidas propostas pelo organismo da UE é o mapeamento das qualificações atualmente necessárias para cargo e perceber quais são compatíveis com outras funções, de forma a facilitar transições de carreira mais curtas, por exemplo, entre eletricistas ou técnicos de HVAC para instaladores de sistemas de baterias ou manutenção de turbinas eólicas. 

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