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Eurodeputados querem travar dependência da China em matérias-primas, baterias e veículos elétricos
Parlamento Europeu defende uma estratégia de redução de riscos para proteger cadeias de abastecimento e tecnologias estratégicas para a economia europeia. Posição marca “ponto de viragem” na política UE-China e antecede diálogos de investimento entre os dois blocos que arrancam hoje.
08 Out 2026 - 06:55
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Os eurodeputados defendem medidas urgentes para reduzir os riscos associados à “dependência económica excessiva” da União Europeia (UE) em relação à China, apontando as matérias-primas críticas, as baterias e os veículos elétricos entre os setores prioritários.
Numa recomendação dirigida ao Conselho da União Europeia, à Comissão Europeia e à alta representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, os eurodeputados pedem ainda maior proteção das tecnologias, infraestruturas e cadeias de abastecimento críticas.
Os eurodeputados afirmam que é do interesse da UE é reforçar um mundo multilateral, numa recomendação adotada, nesta quarta-feira, por 454 votos a favor, 86 votos contra e 110 abstenções.
A posição surge na véspera da deslocação do comissário europeu do Comércio e Segurança Económica, Maroš Šefčovič, à China, que decorre nos dias 8 e 9 de outubro para participar no diálogo de comércio e investimento entre a UE e a China. A agenda inclui questões como o acesso das empresas europeias ao mercado chinês e também as restrições chinesas à exportação de matérias-primas críticas.
Na posição agora votada, os eurodeputados consideram que o espaço económico europeu deve considerar uma estratégia rigorosa de redução dos riscos, centrada nas matérias-primas críticas, nos medicamentos, nas baterias, nos veículos elétricos, nas tecnologias da informação e comunicação, nos semicondutores e noutros setores estratégicos. Apelam para isso a uma análise mais rigorosa do investimento e à proteção das tecnologias, infraestruturas e cadeias de abastecimento críticas.
O Parlamento identifica a sobrecapacidade industrial da China, as subvenções estatais e outras restrições ao acesso das empresas europeias ao mercado chinês como desafios crescentes para a economia da UE. Exigem, por isso, reciprocidade e condições de concorrência equitativas no comércio e no investimento, apoiando uma ação proporcionada da UE nos casos em que a China não abra os seus mercados internos. Apelam ainda ao desenvolvimento da Estratégia Global Gateway e a parcerias mais fortes que proporcionem uma alternativa credível à iniciativa “Uma Cintura, uma Rota” da China, em especial em África e na América Latina.
Por outro lado, os eurodeputados reafirmam a importância de manter e fomentar o diálogo com a China sobre os desafios globais, o clima, a paz, a segurança e os direitos humanos.
Esta maioria alcançada o Parlamento Europeu “marca um ponto de viragem na política da Europa para a China. Com a iniciativa franco-alemã desta semana, está a emergir um amplo consenso da UE sobre a necessidade de uma relação económica mais equilibrada com a China. Espero que o senhor comissário Šefčovič leve amanhã a Pequim esta mensagem económica unida”, assinala a relatora Hilde Vautmans, da Bélgica. E sustentou ainda que a UE quer cooperar com a China “sempre que possível, mantendo-nos firmes na nossa segurança e nos nossos valores. Enquanto persistirem diferenças fundamentais, a rivalidade sistémica fará também parte da nossa relação”.
Recorde-se que que, entre março e junho de 2026, três delegações parlamentares visitaram a China e uma quarta terá lugar no final deste mês. Os contactos diretos entre o Parlamento congelados desde 2021, quando o Governo chinês impôs sanções a vários eurodeputados em resposta às sanções da UE em matéria de direitos humanos contra funcionários e organizações chineses.
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