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Analistas apontam China como ‘vencedora energética” da guerra no Irão
Perturbações no Médio Oriente estão a acelerar a transição energética de países dependentes de combustíveis fósseis e a reforçar o peso industrial chinês nesta mudança de paradigma.
10 Abr 2026 - 10:19
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Xi Jinping, presidente da China | Foto: Wikimedia
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Xi Jinping, presidente da China | Foto: Wikimedia
À medida que a volatilidade provocada pelo conflito no Médio Oriente abala os mercados globais de petróleo e gás, a China poderá estar a emergir como um vencedor inesperado na corrida pela segurança energética, segundo estrategas de investimento citados pela Bloomberg.
Jacky Tang, diretor de investimentos para mercados emergentes na unidade de banca privada do Deutsche Bank, afirmou que a matriz energética diversificada da China e a rápida expansão da tecnologia limpa colocam o país numa posição vantajosa no meio desta turbulência.
“A China é a vencedora nesta guerra, do ponto de vista económico e da sua matriz energética”, disse Tang numa entrevista à Bloomberg.
Já analistas do ‘think tank’ Bruegel, sediado em Bruxelas, alertam que a dependência contínua da China do petróleo iraniano pode representar um “teste severo” caso as perturbações se intensifiquem no Estreito de Ormuz. Ainda assim, a estratégia de longo prazo da China parece estar a amortecer o impacto. Fontes de baixo carbono geram atualmente quase 40% da sua eletricidade, face a cerca de 25% há uma década, enquanto as energias renováveis representam quase metade da capacidade instalada de produção elétrica, segundo estimativas da Ember.
Uma nota recente do Barclays, citada pela Bloomberg, refere que uma década de expansão das energias renováveis e da eletrificação “reduziu materialmente a exposição da China a choques energéticos”, sendo que o petróleo e o gás desempenham agora um papel apenas marginal na produção de eletricidade.
Para além da resiliência, a China pode também beneficiar comercialmente. À medida que os maiores importadores da Ásia procuram diversificar as suas fontes de energia, espera-se um aumento da procura por infraestruturas de energia renovável. Grande parte desse equipamento, desde painéis solares a sistemas de baterias, é produzido na China.
Recorde-se que, no início de abril, o Presidente Xi Jinping apelou à aceleração do planeamento e construção de um novo sistema energético. A orientação, transmitida pela televisão estatal CCTV, surgiu como resposta indireta à instabilidade internacional, ainda que o líder chinês não tenha feito qualquer referência explícita ao conflito nas suas declarações.
Pequim pretende reforçar a segurança energética da segunda maior economia do mundo através de um modelo mais diversificado e com menor intensidade carbónica. Xi Jinping reiterou a necessidade de desenvolver a energia hídrica, proteger os ecossistemas e expandir a energia nuclear de forma “segura e ordenada”, consolidando uma estratégia que diz resultar de uma “compreensão profunda das tendências globais”.
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