Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Europa reforça aposta na energia eólica perante críticas de Trump

Nove líderes europeus vão reafirmar nesta segunda-feira o compromisso com projetos eólicos offshore e metas climáticas até 2050, acentuando a clivagem entre as políticas energéticas da União Europeia e dos Estados Unidos.

26 Jan 2026 - 07:33

4 min leitura

Foto: Adobe Stock/José Juan Noguerón

Foto: Adobe Stock/José Juan Noguerón

Os governos europeus vão reafirmar nesta segunda-feira, em Hamburgo, o compromisso com a expansão massiva da energia eólica offshore, apesar das críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à política energética verde da Europa, segundo um rascunho de declaração a que a Reuters teve acesso.

A iniciativa contará com a participação de nove países, incluindo Alemanha, Reino Unido e Dinamarca, que se comprometerão a acelerar projetos transfronteiriços de grande escala para atingir o objetivo global de 300 gigawatts (GW) de capacidade eólica offshore até 2050.

O Reino Unido e os países da União Europeia envolvidos pretendem contribuir com até 100 GW desse total através de projetos conjuntos, juntamente com a Bélgica, França, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos e Noruega, avança a Reuters.

Recorde-se que Donald Trump tem intensificado as críticas à transição energética europeia. Durante o Fórum Económico Mundial, em Davos, classificou as turbinas eólicas como “perdedoras” e alegou, sem provas, que países com maior número de turbinas registam maiores perdas financeiras.

De acordo com o rascunho da declaração, a expansão das renováveis offshore deverá reforçar a segurança energética, reduzir custos a longo prazo, impulsionar a competitividade industrial europeia, criar empregos e aumentar a autonomia estratégica do continente.

Apesar dos desafios recentes, como o aumento dos custos de capital e componentes, que levou ao fracasso de alguns leilões no Mar do Norte, os governos prometem reforçar o financiamento, incluindo possíveis garantias do orçamento da UE e mecanismos como os contratos por diferença, que asseguram receitas estáveis aos produtores.

Renováveis superam fósseis em 2025 

Recorde-se que, pela primeira vez, as energias solar e eólica geraram mais eletricidade do que os combustíveis fósseis na União Europeia (UE), em 2025. A revelação foi feita no Relatório Europeu sobre Eletricidade, divulgado pelo “think thank” Ember. As duas fontes renováveis resultaram num recorde de 30% de energia produzida.

“Este momento marcante mostra a rapidez com que a UE está a avançar para um sistema energético apoiado pela energia eólica e solar”, avançou a autora do relatório, Beatrice Petrovich. “À medida que a dependência dos combustíveis fósseis alimenta a instabilidade no cenário global, a aposta na transição para a energia limpa é mais clara do que nunca”, acrescentou.

O mesmo marco aconteceu a nível mundial no último ano. Pela primeira vez num período prolongado, as energias solar e eólica não só responderam a toda a nova procura de eletricidade como a ultrapassaram, sinalizando uma inversão definitiva na arquitetura energética global. Os dados dos três primeiros trimestres do ano, divulgados pela Ember mostraram que estas fontes renováveis representam agora 17,6% da eletricidade mundial, face aos 15,2% do período homólogo de 2024.

Políticas opostas na energia

Enquanto a União Europeia reforça metas climáticas ambiciosas e aposta na expansão das energias renováveis como pilar da sua estratégia económica, energética e geopolítica, os Estados Unidos seguem uma trajetória oposta.

Recorde-se que o presidente norte-americano é crítico das renováveis e defensor dos combustíveis fosseis e da energia nuclear. Nas últimas semanas, Trump tem bloqueado ou revertido projetos de energia eólica offshore, nomeadamente através de restrições a licenças federais, e reiterado o apoio aos combustíveis fósseis, defendendo o aumento da exploração de petróleo, gás e carvão. O líder norte-americano tem criticado abertamente as energias renováveis, que considera pouco fiáveis e prejudiciais para a economia, posicionando-se contra políticas de descarbonização. Uma posição que acentua cada vez mais as divergências nas políticas energéticas entre os dois blocos.

 

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa na transição verde.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade