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Economia circular pode reduzir em 22% o impacto económico da UE nas alterações climáticas

Relatórios da Agência Europeia de Energia apresentam 17 medidas de economia circular que permitiriam reduzir o impacto na perda de biodiversidade para os 19% e diminuir a poluição atmosférica em 25%.

21 Mai 2026 - 16:37

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Foto: Adobe stock/lovelyday12

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A Agência Europeia do Ambiente (AEE) publicou esta quarta-feira um conjunto de 17 ações de economia circular, com potencial para reduzir o impacto da UE nas alterações climáticas em 22%, equivalente a quase mil milhões de toneladas de CO2. As medidas serviriam também para reduzir o impacto na perda de biodiversidade para os 19% e, ainda, diminuir a poluição atmosférica em 25%.

Os benefícios estimados, publicados em três relatórios, foram baseados em medidas específicas de circularidade, realizadas em setores como habitação, mineração, alimentação e mobilidade. Segundo comunicado da AEE, estas melhorias teriam também aspetos positivos em termos de reforço da segurança no abastecimento de recursos.

Através destas ações seria possível reduzir a dependência da UE relativamente a matérias-primas estratégicas produzidas noutras regiões do mundo. Segundo o relatório “Os benefícios ambientais e climáticos da economia circular”, a dependência da UE de minérios de alumínio, níquel e metais do grupo da platina extraídos fora da Europa diminuiria cerca de 20%, e em 12% no caso do cobre.

A redução da utilização de recursos naturais na Europa “traz benefícios tanto dentro como fora da UE, uma vez que a União importa grandes quantidades de recursos e produtos cuja extração sobrecarrega os ambientes locais noutras regiões do mundo”, pode ler-se no comunicado.

No relatório “Desbloquear a economia circular: necessidades de investimento, barreiras e condições facilitadoras”, a AEE deixa algumas sugestões de oportunidades de negócio ainda por explorar. Segundo este, a economia circular representa uma oportunidade estratégica de negócio para expandir o mercado europeu, permitindo desbloquear retornos económicos significativos e reduzir a dependência de recursos, ao mesmo tempo que diminui a pressão sobre o clima e o ambiente.

As estimativas do relatório mostram que é necessário acelerar o investimento para cumprir os objetivos das políticas de economia circular já adotadas, já que existe um défice de investimento de cerca de 82 mil milhões de euros por ano até 2040.

O relatório aponta o design de produtos como uma das áreas que necessitam maior atenção, sendo este um dos maiores défices setoriais identificados na construção, nos têxteis, nas baterias e nos veículos.

A EEA acrescenta ainda que, embora o financiamento privado domine atualmente o investimento, o financiamento público desempenha um papel catalisador ao reduzir o risco dos projetos e permitir financiamentos mistos e de longo prazo.

Melhor circularidade e utilização de materiais mais duradouros são o foco principal do terceiro relatório, “Stocks de Materiais na economia circular”. Melhorar a circularidade dos produtos de longa duração da Europa, tal como edifícios, automóveis, estradas ou maquinaria, pode proporcionar matérias-primas domésticas mais competitivas em termos de custos para a economia da UE.

Atualmente, a economia europeia depende fortemente de grandes quantidades de materiais, já que cada pessoa consome cerca de 14,4 toneladas por ano. Quase metade desse valor, ou seja, mais de 6 toneladas, acaba incorporada em edifícios, infraestruturas ou maquinaria, formando o chamado “stock de materiais”.

Segundo o relatório, estes stocks são essenciais para a qualidade de vida, no entanto, moldam cada vez mais a dependência de recursos da Europa. Neste sentido, aumentar a circularidade desses stocks poderia transformá-los numa fonte de matérias-primas secundárias e assim reforçar a competitividade europeia e a segurança económica.

De modo geral, os três relatórios da AEE pretendem salientar o potencial da economia circular para causar impactos positivos e significativos no ambiente europeu, ao mesmo tempo que salientam a necessidade de acelerar o investimento nos esforços de circularidade para cumprir as metas ambientais e climáticas da UE.

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