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Economia circular representa apenas 1,8% do PIB da UE e continua com investimento marginal

Modelos de negócio circulares ainda estão concentrados na gestão de resíduos, apesar do crescimento do investimento e do apoio político, aponta a Agência Europeia do Ambiente. Segmentos específicos, como a revenda de vestuário, mostram mais dinamismo

26 Abr 2026 - 10:29

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Foto: Freepik

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A economia circular continua a ter um peso reduzido na União Europeia (UE), apesar do aumento de iniciativas e do enquadramento político favorável. Nomeadamente, os negócios de economia circular representam apenas 1,8% do PIB da UE e cerca de 2% do emprego total, o equivalente a aproximadamente 3,95 milhões de postos de trabalho, segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA).

Estes números incluem apenas atividades nos setores da reciclagem, reparação e reutilização, uma vez que outras atividades da economia circular, como os empregos ligados ao design de produtos circulares, são mais difíceis de estimar, sublinha a AEA.

A análise indica que foram alcançados alguns progressos na adoção de inovações técnicas, empresariais e sociais para a sustentabilidade e a circularidade. No entanto, a adoção generalizada e a expansão de modelos de negócio circulares na Europa ainda não é evidente

De um modo geral, os modelos de negócio circulares e outras iniciativas estão a atrair um volume significativo de financiamento, tanto de fontes públicas como privadas.

Designadamente, segundo a Plataforma para o Financiamento Sustentável, o investimento anual atual na economia circular ao nível da UE é de 18 mil milhões de euros, o que significa 2,3% dos 764 mil milhões de euros do total de fluxos de investimento sustentável.

Na prática, os modelos de negócio circulares incluem desde startups dedicadas à circularidade até empresas tradicionais que diversificam ou transformam as suas operações para integrar estratégias mais sustentáveis. Ainda assim, a maioria destas iniciativas permanece em nichos de mercado, enfrentando barreiras técnicas, económicas, culturais e políticas que dificultam a sua escalabilidade.

Atualmente, o foco dominante continua a estar na gestão de resíduos e no tratamento de produtos em fim de vida, a área mais consolidada da economia circular.

Em contrapartida, modelos que promovem a extensão do ciclo de vida dos produtos ou a reutilização em larga escala continuam subdesenvolvidos, apesar do seu potencial para gerar impactos sistémicos mais amplos na economia europeia, sublinha a AEA.

Barreiras estruturais travam expansão

A análise sublinha que os modelos circulares enfrentam dificuldades persistentes para competir com o modelo económico linear. A principal razão está na estrutura de custos. Atividades como reparação ou remanufatura são intensivas em mão de obra e difíceis de automatizar, o que impede ganhos rápidos de eficiência.

A isto soma-se o facto de as matérias-primas virgens continuarem, na maioria dos casos, mais baratas do que os materiais reciclados, criando uma desvantagem estrutural para soluções circulares. Mesmo quando a recolha de resíduos é eficiente, isso não se traduz automaticamente em utilização efetiva de materiais secundários na produção industrial, destaca a análise.

Por outro lado, o relatório identifica algum dinamismo em segmentos específicos. O mercado europeu de revenda de vestuário, por exemplo, deverá passar de 15,9 mil milhões de euros em 2024 para 26 mil milhões em 2030, enquanto a remanufatura poderá atingir os 100 mil milhões de euros até ao final da década, empregando cerca de 192 mil pessoas em mais de 7.200 empresas.

Ainda assim, a maioria destes modelos permanece confinada a nichos de mercado ou a segmentos urbanos e altamente sensibilizados para questões ambientais.

A reciclagem continua a ser a área mais madura da economia circular, mas mesmo neste domínio a transformação estrutural é limitada: apenas 12,2% do consumo de materiais na UE provém de fontes recicladas, valor praticamente estagnado desde 2010.

 

 

 

 

 

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