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Conduzir um carro a diesel verde é 79% mais caro do que um carro elétrico

Novo estudo da Transport & Environment conclui que percorrer 100 quilómetros sai, em média, 79% mais caro com HVO. Associação acusa indústria automóvel de tentar travar a eletrificação à custa dos consumidores.

25 Abr 2026 - 15:02

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Foto: Freepik

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Um novo relatório da Transport & Environment (T&E) conclui que abastecer um carro com HVO, o biocombustível promovido como alternativa “verde” ao combustível fóssil, fica, em média, 79% mais caro do que carregar um veículo elétrico. A associação acusa a indústria automóvel de tentar adiar a eletrificação à custa dos consumidores.

De acordo com o estudo, percorrer 100 quilómetros num veículo elétrico custa, em média, cerca de 7 euros em eletricidade. Já o mesmo percurso com HVO (sigla inglesa para óleo vegetal hidrotratado) ascende a 13 euros. A diferença, de 79%, coloca em causa o argumento de competitividade económica frequentemente invocado por governos e fabricantes.

Alemanha, Itália e a indústria automóvel têm pressionado Bruxelas para flexibilizar as metas de emissões de dióxido de carbono, propondo que veículos de combustão alimentados a biocombustíveis sejam considerados “emissões zero”. Para a T&E, essa alteração não só atrasaria a transição para veículos elétricos, como empurraria os consumidores para soluções mais caras e com disponibilidade limitada.

“Carregar um elétrico é muito mais barato do que encher um depósito com biocombustíveis avançados”, denotou Émilie Casteignau Bernardini, responsável de políticas de veículos da T&E. “Ao promover estes biocombustíveis, a indústria quer transferir o custo para os condutores enquanto adia a eletrificação.”

A escassez é, aliás, outro dos pontos centrais do relatório. A produção de biocombustíveis avançados continua insuficiente para responder à procura potencial do setor rodoviário, e poderá enfrentar concorrência acrescida da aviação. As regras europeias para combustíveis sustentáveis na aviação (ReFuelEU) criam fortes incentivos para que companhias aéreas adquiram estes recursos, pressionando ainda mais os preços.

Segundo os cálculos da T&E, uma eventual introdução de créditos de biocombustíveis para fabricantes automóveis, que é uma hipótese em análise pela Comissão Europeia, poderá traduzir-se num aumento de 60% nos gastos com combustível até 2050. No total, os condutores europeus poderiam desembolsar mais 500 mil milhões de euros entre 2025 e 2050 face ao quadro regulatório atual.

O estudo conclui que rejeitar estes incentivos e manter metas ambientais exigentes permitiria reduzir custos para os consumidores, acelerar a adoção de veículos elétricos e diminuir a dependência energética da Europa, tanto de combustíveis fósseis importados como de matérias-primas “potencialmente insustentáveis”.

Numa altura em que os preços do petróleo ultrapassam os 100 dólares por barril, a diferença tende a acentuar-se. Análises anteriores da organização já indicavam que o impacto do aumento dos combustíveis fósseis nos veículos convencionais pode ser até cinco vezes superior ao acréscimo de custos na eletrificação.

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