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Fatih Birol: Incerteza no setor da energia “complica o trabalho dos decisores políticos, líderes empresariais e investidores”
Diretor executivo da Agência Internacional de Energia evidencia que, apesar das grandes mudanças geopolíticas, existem sete principais certezas sobre o setor da energia, desde o crescente recurso à eletricidade à diversificação dos mercados globais.
19 Jan 2026 - 16:39
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Fatih Birol, AIE | Foto: Foto: MAE
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Fatih Birol, AIE | Foto: Foto: MAE
“O setor energético, como muitos outros, enfrenta uma série de incertezas, o que complica o trabalho dos decisores políticos, líderes empresariais e investidores”, declarou o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) nesta segunda-feira. Numa publicação no site da AIE, Fatih Birol aponta que, apesar de um mundo a atravessar grandes mudanças geopolíticas, existem sete principais certezas sobre o setor da energia.
Embora o petróleo e o gás continuem a ser amplamente utilizados nos próximos anos, o responsável prevê também um forte crescimento do uso da eletricidade, que está a evoluir duas vezes mais rápido do que a procura geral de energia. “É a principal fonte de energia para as partes mais dinâmicas da economia global – como a IA, centros de dados e manufatura de alta tecnologia – e está a aumentar a sua participação em setores importantes, como transporte rodoviário e aquecimento, por meio de tecnologias como veículos elétricos e bombas de calor”, concluiu Birol. Evidencia também que, neste momento, mais de metade do investimento anual neste setor já está a ser alocado para a eletricidade.
“Apesar de alguns obstáculos, em muitos países ao redor do mundo, as energias renováveis estão a satisfazer grande parte, senão toda, da crescente procura por eletricidade, muitas vezes porque são a opção mais competitiva”, explicou o diretor executivo. Sustenta que a energia solar já ocupa a posição de líder, uma vez que os países que estão a trabalhar para exponenciar a procura por energia, como a Índia, “têm recursos solares de alta qualidade”. Birol reconheceu ainda a entrada de novas tecnologias no mercado com potencial, como a geotérmica de última geração.
Recentemente, a energia nuclear tem-se tornado um tópico quente no debate do setor, ao gerar “mais eletricidade do que nunca no ano passado”, frisou o responsável da AIE. Ilustrou que, atualmente, “mais de 70 gigawatts de nova capacidade nuclear estão em construção, um dos níveis mais altos dos últimos 30 anos”. Birol referiu que esta fonte tem contribuído para responder à ascendente procura de eletricidade por parte dos centros de dados, com as empresas “atraídas pela sua promessa de baixas emissões e fornecimento de energia 24 horas por dia”.
Fatih Birol acredita que os riscos tradicionais que afetam a segurança do abastecimento de petróleo e gás “são agora acompanhados por vulnerabilidades noutras áreas, incluindo a segurança do abastecimento de eletricidade, como evidenciado pelos recentes grandes apagões […] e os minerais críticos”. O economista turco realçou que a China concentra em si a refinação de 19 dos 20 materiais estratégicos relacionados com a energia, – isto é, cerca de 70% do mercado – enquanto mais de metade estão sujeitos a controlos na exportação. Perante esta realidade, defende: “Os riscos crescentes para a segurança energética decorrentes das alterações climáticas são agora também uma certeza, intensificando a necessidade de tornar os sistemas energéticos mais resilientes a fenómenos meteorológicos extremos, bem como a ciberataques e outras atividades maliciosas que visam infraestruturas críticas”.
Os preços do petróleo, considerou, “já estão sob pressão devido à oferta relativamente abundante, e o mesmo acontecerá em breve nos mercados de gás natural, à medida que a onda de novos projetos de exportação de gás natural liquefeito entrar em operação”. O diretor da AIE relembrou que “há também ampla capacidade de produção de baterias, painéis solares e outras tecnologias”, o que pode vir a beneficiar os importadores de combustíveis e tecnologias. Alertou, no entanto, que um período de abundância e preços baixos pode provocar a uma redução dos investimentos em energia, com implicações para os anos subsequentes.
“O centro de gravidade dos mercados mundiais de energia está a mudar, à medida que um grupo de economias emergentes, liderado pela Índia e pelo Sudeste Asiático e acompanhado por países do Oriente Médio, América Latina e África, molda cada vez mais a dinâmica do mercado de energia”, constatou o economista. “Estes países estão a assumir o lugar da China, que representou mais de metade do crescimento da procura global de petróleo, gás e eletricidade desde 2010”, esclareceu. Dito isto, reconheceu que “nenhum outro país, por si só, chegará perto de replicar a extraordinária trajetória energética da China nas últimas décadas”.
Fatih Birol reiterou que, “perante a turbulência atual, concentrar-se apenas nas incertezas pode levar à indecisão e à paralisia”. O diretor executivo pensa que uma abordagem de “esperar para ver” em relação à energia por parte de governos, empresas e investidores “corre o risco de acumular problemas para o futuro, dada a sede mundial por energia e a necessidade contínua de investimento”. A seu ver, ainda existem algumas certezas nas quais os decisores políticos podem confiar: “Não as percamos de vista ao planear o futuro”, apela.
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